terça-feira, 19 de setembro de 2017

AS «MOSCAS» E O MAL SOCIAL

As «moscas» e o mal social
(Publicado no semanário O DIABO em 19 de Setembro de 2017)

Dos seis que estavam à mesa, o P. sentiu-se incomodado com uma mosca e virou-se para mim a sugerir que escrevesse sobre as moscas. Não dei resposta, mas continuei atento às queixas que passaram para a degradação do civismo e da ética de que a sociedade está a padecer. O A. Saiu-se com mais uma citação bíblica dizendo que a isso não podemos dar remédio, porque o mal é obra do diabo. E disse também que Portugal é um país geométrico, com território de forma rectangular, com problemas bicudos analisados em mesa redonda por bestas quadradas. E certamente não atribui ao diabo esta faceta.

Parece que a humanidade, isto é, cada um, deve deixar de culpar o diabo e fazer tudo o que puder para recuperar os valores que estão a ficar debilitados. Sendo elemento da humanidade, uma pessoa não tem o direito de ficar sentada à espera que os outros lhe tragam de presente a solução de um problema que também é dela. A solução não é ser indiferente e atribuir culpas ao diabo. E, quanto às «moscas», elas são estimuladas a procurar alimento e procuram-no onde ele possa existir. Na sociedade há acomodação, apatia, preguiça, para afastar aquilo que as «moscas» procuram e, assim, permite que a degradação social progrida para o abismo, não pela força do diabo mas por desinteresse da humanidade. Esta vive acomodada e submete-se docilmente à propaganda da mentira, das promessas falaciosas que nada de bom lhe trarão, mas as «moscas», atraídas por tal ambiente fecal, continuam a manobrar uma estratégia que dificulta a procura da verdade e a busca de informação correcta sobre a realidade.

Felizmente, nem toda a gente é ingénua, ignorante e apática e, por exemplo, estas manobras estão bem explicadas por Henrique Neto no artigo à procura da verdade» em O DIABO e também por António Barreto que as refere no artigo «segredo de injustiça», no Diário de Notícias.

Mas há soluções para quase tudo o que depende da acção do homem. Este, como partícula estruturante da humanidade, é autor das degradações de que esta sofre e que poderão ser ultrapassadas se os comportamentos individuais passarem a ser mais correctos, racionais e sensatos. Quando tanto se fala das virtudes da democracia, e se atribui tal responsabilidade aos seres humanos, há que exigir um esforço para que todos tenham acesso à boa informação, por forma a procurarem a verdade e não se deixarem levar pelo conto do vigário ou de vendedores de banha de cobra mas, prelo contrário dêm a sua colaboração e participação para o bem comum.

Ninguém tem o direito de ficar sentado à espera que outros lhe tragam o resultado da recuperação de valores que andam esquecidos. Cada um deve agir no melhor sentido, criticando a apresentando sugestões ou fazendo perguntas sobre aquilo que não compreende bem. Felizmente, há pensadores e técnicos a cooperarem para uma civilização mais eficaz com soluções para problemas preocupantes. É, por exemplo, o caso de António Carvalho que publicou no Diário de Notícias o artigo "Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais", para evitar os fogos florestais e combater com eficácia os que eventualmente surgirem. Precisamos de muitos cidadãos assim a contribuir para ser encontrada a melhor estratégia para o desejado progresso. Onde todos ajudam, as coisas apresentam-se mais fáceis.

António João Soares
12 de Setembro de 2017

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domingo, 17 de setembro de 2017

JAPÃO NÃO TEM PROBLEMAS COM O ISLÃO

O Japão não tem problemas com o Islão
(Recebido por e-mail em 151014)

Nunca se viu uma notícia de que algum dignitário do Irão ou da Arábia Saudita, príncipe, políticos, ou líderes Árabes tenham visitado o Japão.

O Japão é um país que tem mantido o Islão à distância.

O Japão tem restrições rígidas sobre o Islão e todos os muçulmanos:

1) O Japão é o único país que não dá cidadania a muçulmanos.
2) No Japão não há nenhuma residência permanente para os muçulmanos.
3) Há uma proibição forte sobre a expansão do Islão no Japão.
4) Nas universidades do Japão, não se ensina a língua árabe, ou a religião islâmica.
5) Não é possível importar "O Alcorão", publicado em árabe.
6) De acordo com os dados publicados pelo governo japonês, foi dado de residência temporária apenas a dois lakhs muçulmanos, que tem de seguir a lei japonesa.
Estes muçulmanos devem falar japonês e realizar os seus rituais religiosos em suas casas apenas.
7) O Japão é o único país que tem um número mínimo de embaixadas dos países islâmicos.
8) Os japoneses não são atraídos para o Islão.
9) Os muçulmanos que vivem no Japão são apenas funcionários de empresas estrangeiras.
10) Até hoje, o Japão não concede vistos a médicos, engenheiros ou administradores enviados por estrangeiros sendo muçulmanos.
11) Na maioria das empresas japonesas incluem um item nas suas políticas de trabalho, que apenas os não-muçulmanos podem inscrever-se ou candidatar-se a um lugar de trabalho.
12) O governo japonês é de opinião que os muçulmanos são FUNDAMENTALISTAS e que mesmo na era actual da globalização, eles não estão dispostos a mudar as suas leis muçulmanas.
13) Os muçulmanos não podem sequer pensar em alugar uma casa no Japão.
14) Se alguém vem a saber que seu vizinho é muçulmano, informa as autoridade e o bairro todo para estar alerta .
15) Ninguém pode iniciar uma célula islâmica ou árabe no Japão.
16) Não há naturalmente a lei (Sharia) no Japão
17) Se uma mulher japonesa se casar com um muçulmano, será considerada "pária" para sempre.
18) De acordo com o Sr. Komico Yagi, do departamento da Universidade de Tóquio, "há uma percepção no japonês que o Islão é uma religião para mentes muito estreitas, e portanto deve-se ficar longe desta religião."
19) O Jornalista Juber Mohammed visitou muitos países islâmicos após os ataques de 11 de Setembro, incluindo o Japão. Concluiu que os japoneses tinham a certeza de que os extremistas não poderiam fazer qualquer dano no Japão.

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RESPOSTA DE PUTIN AO REI SAUDITA

A suposta resposta de Putin ao rei saudita que pediu para construir uma mesquita na Rússia
quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Vladimir Putin, recebeu em Moscou a visita do rei da Arábia Saudita.

Conta-se que antes de partir, o monarca disse-lhe que desejava comprar um grande terreno e construir uma grande mesquita na capital russa.
- Não há problema - respondeu Putin - mas há uma condição, autorize a construção de uma grande igreja ortodoxa em sua capital árabe.
- Não pode ser - disse o rei árabe.
Putin perguntou:
- Por qual motivo?
- Porque sua religião não é a verdadeira religião e não deixamos que o o nosso povo seja enganado.
Putin, contra-argumentou:
- Penso igualmente a respeito da sua religião e, permitiria sua construção se houvesse reciprocidade. Assim, terminamos o assunto aqui.
Porém, Putin não terminou o assunto naquela ocasião. Em um discurso ao Parlamento russo, referindo-se às tensões com minorias étnicas, ele disse o seguinte:

- Na Rússia, viva como russos! Qualquer minoria, em qualquer lugar, que quer viver na Rússia, trabalhar e comer na Rússia, deve falar russo e deve respeitar as leis russas. Se eles preferem a Lei da Sharia e vivem uma vida de muçulmanos, nós aconselhamos a ir aos lugares onde essa é a lei do Estado. A Rússia não precisa de minorias muçulmanas; essas minorias precisam da Rússia e não lhes garantimos privilégios especiais nem tentamos mudar nossas leis adaptando-as aos seus desejos. As tradições e os costumes russos não são compatíveis com a falta de cultura e as formas primitivas da lei da Sharia e dos muçulmanos.

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sábado, 16 de setembro de 2017

QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO E O ACTUAL OCIDENTE

Uma lição que deve ser aprendida pelo Ocidente. Se não quiser ler tudo, leia o último parágrafo
Os Bárbaros que saquearam Roma entraram no Império como Refugiados http://gatesofvienna.net/2016/11/the-barbarians-who-sacked-rome-came-into-the-empire-as-refugees/ Posted on November 30, 2016 by Baron Bodissey

No seu último ensaio, Emmet Scott explora o paralelismo entre as bárbaras invasões de Roma no século IV A.D. e as invasões de migrantes da Europa no século XXI.


Os Bárbaros que saquearam Roma entraram no Império como Refugiados Por Emmet Scott

No século passado muitos comentadores sublinharam o paralelismo sobre o Ocidente moderno e a antiga Roma no seu período de decadência e declínio. O mais influente proponente desta ideia, talvez tenha sido Oswald Spengler, cujo «Declínio do Ocidente é agora largamente considerado como um clássico do pensamento conservador. Como se pode imaginar, os «progressistas» sempre zombaram da ideia. O mais influente, mas, novamente, eles dificilmente seriam progressistas se não o fizessem. Um deles lembrou-se do dito Chinês “quando um doido vê o Tao (verdade): «Quando um tolo vê o Tao [Verdade], ele ri. Se ele não riu, não seria o Tao ".

Os paralelos entre Roma decadente e o Ocidente moderno estão realmente visíveis. E eles são estranhos, e eles estão se tornando mais numerosos por dia.

Em 410 A.D, os muros de Roma foram violados e a cidade saqueada por um exército bárbaro sob a liderança de Alaric the Goth. Esta foi a primeira vez desde o saque Godo da cidade em torno de 390 AC. que a metrópole imperial tinha sido invadida por um inimigo hostil. A queda de Roma chocou o mundo na época, mas o que geralmente não é conhecido, hoje em dia, é que o exército gótico que realizou a atrocidade entrou no Império trinta anos antes como refugiado.

Até à segunda metade do século IV, os godos habitaram uma vasta área de território correspondente ao que agora compreende a Romênia e a Ucrânia. Em 375, no entanto, eles foram atacados pelos Hunos, uma tribo de guerreiros nómadas da Ásia central que se movia firmemente para o oeste durante o século e meio anterior. Na guerra que se seguiu, os Godos sofreram uma esmagadora derrota e um grande número deles fugiu para o oeste em direção ao Império Romano. No verão de 376, um enorme exército de godos, geralmente estimado em cerca de 100 mil, chegou ao rio Danúbio e pediu que as autoridades romanas permitissem a sua entrada no Império.

O imperador oriental Valens, naquele momento, estacionado em Antioquia, acabou por dar permissão para que a tribo de Therving, que compreendia cerca de metade do número total de refugiados góticos, fosse transportada pelo rio. Por pelo menos dois séculos antes disso, os romanos haviam recrutado ativamente bárbaros para o exército (necessário por causa da baixíssima taxa de natalidade de Roma) e Valens argumentou que os godos proporcionariam um valioso conjunto de recrutas novos e baratos. A operação para transportar essas pessoas ao longo do Danúbio foi enorme e onerosa e demorou várias semanas para completar e, como Ammianus Marcellinus comenta sarcasticamente, "foi diligente o cuidado de que nenhum futuro destruidor do Estado romano deveria ser deixado para trás, mesmo que ele fosse feridos tivesse uma doença fatal ".

Não surpreendeu que, dentro de algumas semanas após a sua entrada no Império, os primeiros confrontos com as autoridades romanas ocorreram e, no final do verão, os Godos estavam em guerra com Roma. Após vários desastres militares, o imperador Valens fez um retorno precipitado a Constantinopla para se responsabilizar pessoalmente pela campanha e foi morto em batalha em Adrianópolis em 378 - apenas dois anos depois de ter sancionado a imigração em massa.

Mas o pior estava para vir. Uma década e meia de paz desconcertante foi encerrada em 395 por uma guerra gótica renovada, desta vez sob a liderança de Alaric. Comandando uma enorme força de guerreiros (que de facto eram oficialmente soldados no exército romano), Alaric deslocou-se para o sul da Trácia para a Grécia, uma terra que ele passou a devastar. Cidade após a cidade, a população masculina foi massacrada, a população feminina foi estuprada e vendida para escravidão e sua riqueza saqueada. Finalmente, em 396, o Império Ocidental se estimulou e seu maior general Stilicho foi despachado com uma força considerável para o alívio da Hellás. Depois de um longo jogo de gato e rato ao redor da Península do Peloponeso, os Godos foram presos pela ciência e táticas superiores do general romano. Infelizmente, no entanto, Stilicho não processou o cerco até à sua conclusão e os godos efetuaram uma fuga ousada e seguiram caminho para Epirus.

Neste momento, um filósofo político grego chamado Synesius publicou um tratado amplamente discutido sobre a emergência actual e as medidas que precisavam ser tomadas. Ele exortou o imperador a "reviver a coragem de seus súditos pelo exemplo da virtude masculina; banir o luxo do tribunal e do campo; para substituir, no lugar dos mercenários bárbaros, um exército de homens na defesa de suas leis e da sua propriedade ... para despertar o cidadão indolente de seu sonho de prazer. ... À frente de tais tropas que poderiam merecer o nome e exibir o espírito de romanos, ele [encorajou o imperador] a não baixar os braços até que os tivesse perseguido [os bárbaros] longe nas solidões da cítia, ou os reduziu ao estado de servidão ignominiosa ... "Nas palavras de Gibbon," o tribunal do Imperador Arcadius desprezou o zelo, aplaudiu a eloquência e negligenciou o conselho de Synesius ". Em vez do exílio nas solidões de Scythia, Alaric foi realmente promovido à categoria de mestre geral da província de Illyricum oriental, e os provincianos romanos, observa Gibbon, "ficaram justamente indignados de que a ruína da Grécia e do Epirus fosse tão recompensada".

Tudo isso parece muito familiar? Mas o pior ainda estava por vir; para o patriota que havia salvo a Grécia de Alaric, o general Stilicho, ele mesmo foi apenas uma década depois denunciado pela classe dominante romana e assassinado, juntamente com toda a família. Isso ocorreu depois que Stilicho salvou a Itália de um segundo ataque de Alaric, bem como de outro hospedeiro bárbaro liderado por um Rhadagastus que atravessou os Alpes e devastou o Vale do Po.

Que tipo de sociedade que traz bárbaros que não podem ser assimilados para substituir as crianças que recusou ter; que desculpa e recompensa os horríveis crimes desses bárbaros; e que castiga os patriotas que tentam impedir as depredações dos ditos bárbaros?

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

FOGOS. COMO FAZER A LIMPEZA DA FLORESTA?

Fogos. Como fazer a limpeza da floresta!
(Publicado no semanário O JORNAL em 12 de Setembro de 2017)

Acerca dos incêndios florestais que estão a destruir a área do pinhal que existe desde Abrantes a Chaves, aparecem muitos teóricos a falar daquilo que parece desconhecerem. É indispensável procurar compreender a razão de, nos anos 40 do século passado, as matas só muito raramente sofrerem fogos enquanto, hoje, estes não pararem de destruir o interior do país desde o início ao fim da época estival. E são sempre fogos de grande extensão difíceis de dominar.

A meio do século passado, como pude observar continuamente durante anos, as matas estavam sempre limpas e sem possibilidade de alimentar fogos extensos. Trabalhadores que passavam lá o dia cozinhavam lá os almoços sem necessidade de cuidados preventivos especiais, enquanto continuavam a trabalhar, porque não havia material combustível. Porquê? Esse é que é o problema. É indispensável conhecer a situação de então, para se poder compreender o que levou ao que se passa hoje e procurar uma solução eficaz para a realidade actual. Algo mudou muito na vida rural.

Nessa época, a agricultura não usava máquinas e gastava poucos adubos, porque havia uma utilização sustentada de juntas de bois e as terras eram fertilizadas por estrume, à base de produtos das matas preparados nas camas do gado muito diverso, ou por apodrecimento em medas regadas pela chuva, pelo orvalho e por água. Para isso era aproveitada toda a caruma e o mato que era «roçado» regularmente na época em que a mão de obra era menos necessária para tratar de sementeiras, regas e colheitas. Nada disso era feito para «limpar a mata», mas sim por ser necessário para o processo agrícola. A rama dos pinheiros raramente secava, porque eles eram aparados para ser obtida lenha para o forno e a cozinha e para obter estacas para apoio de videiras, feijoeiros, tomateiros, ervilheiras e plantas de pequeno porte. À semelhança de os bois serem substituídos por tractores, do estrume ter sido substituído por adubo também estas estacas para plantas foram substituídas por arame.

Para agravamento advindo do problema da evolução do processo agrícola em que a mata deixou de ter a utilidade quase permanente que a mantinha limpa, o interior desertificou-se por as pessoas terem procurado melhor compensação pelo seu trabalho, quer na faixa litoral quer no estrangeiro, no comércio e na indústria. Muitas terras boas de cultivo foram deixadas ao abandono, e cobriram-se de silvas e outras ervas daninhas também alimentadoras de incêndio.

A solução preventiva de obrigar os proprietários de minifúndios ou microfúndios a limparem as suas propriedades é demasiado violenta e ilusória, porque a propriedade não lhes dá qualquer benefício, que compense tais custos. E muitos dos donos de minúsculas parcelas no meio da serra, nem sabem onde elas estão e, quando sabem, não lhes conhecem os limites. Terá que ser criado um sistema funcional para a prevenção dos fogos que poderá passar por uma reforma profunda de restruturação da propriedade rural. Deixar de haver minipropriedades e os grandes proprietários que daí resultarem, privados ou municipais, serem obrigados a adoptarem medidas rigorosas, para reduzir o perigo de incêndio. As fábricas de transformação de vegetais em biomassa ou pasta para papel ou cartão, poderão ter uma missão a cumprir e arcar com todo ou parte dos custos da matéria prima.

E as medidas rigorosas de prevenção têm que ser minuciosamente controladas por agentes de vigilância florestal, ou no estilo da extinta Garda Florestal ou por um novo sector da GNR devidamente preparado para tal missão.

António João Soares
5 de Setembro de 2017

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

MEIAS VERDADES E MENTIRAS OCULTAM A REALIDADE

Meias verdades e mentiras ocultam a realidade
(Publicado no semanário O JORNAL em 5 de Setembro de 2017)

Uma civilização evoluída considera o culto da verdade como uma preocupação prioritária e dá muito valor à sua procura sempre que existe confusão. No entanto, deparamos com a maior preocupação tida na política e na informação, no sentido de desenvolver pequena propaganda da verdade relativa, da verdade possível e inócua, da mentira e do desprezo da verdade transparente e louvável. Para isso, complicam acontecimentos simples de forma a dificultarem o acesso à informação clara e leal, fazendo-a esquecer por distracção com coisas insignificantes.

Procuram desencorajar a procura da verdade e desorientar com novas notícias, falsas ou mais ou menos verdadeiras, criando uma ilusão da realidade, desvalorizando a verdade. Dessa forma, como se tem visto em campanhas eleitorais, e fora delas, são feitas promessas e afirmadas garantias para obter boa cotação em sondagens e mais votos nas urnas, mas que raramente serão realidade. E os actos errados ou duvidosos passam despercebidos aos cidadãos menos esclarecidos que, muitas vezes aceitam e aplaudem discursos falaciosos que nada os beneficiam, antes servem de engodo para desprezarem coisas graves e produzir a mudança da atenção destas coisas para banalidades ou ilusões não realistas.

Isso tem especial acuidade no sistema eleitoral com campanhas distantes da procura de soluções pragmáticas para os diversos problemas preocupantes, em diversos sectores nacionais, que são desprezados pelas propagandas, atractivas e irreais ou distantes da realidade, que convencem os eleitores a aceitar votar em listas de nomes que não conhecem e que nelas constam por serem amigos, cúmplices ou coniventes do chefe do partido. Ao eleitor não é dado o direito de, democraticamente, escolher os indivíduos mais competentes e honestos da sua área de residência.

No caso da tragédia de Pedrógão Grande, esteve bem visível a propaganda para encobrir os diversos falhanços, diluir as responsabilidades, acusar os serviços, denunciar a oposição. Esta, por seu lado, vitupera e acusa, faz demagogia e aproveita-se. Em tal actividade, falam dos mortos e esquecem os vivos que necessitam de apoio para refazer as vidas, e da criação de medidas preventivas eficazes para evitar a repetição de acidentes e de crises. E, com um incompreensível «segredo de justiça», de origem estranha ao Poder Judicial, pretendeu-se proibir qualquer tentativa de procurar a verdade ou de emitir opinião interrogativa sobre o caso de Pedrógão.

Quanto a medidas contra os incêndios, há quem aponte soluções para o ordenamento florestal, para a organização, equipamento e preparação dos bombeiros, para as medidas activas fora da estação dos fogos, para as penas a aplicar pela Justiça aos incendiários, para as nomeações de técnicos competentes para as chefias dos serviços ligados à prevenção e ao combate que devem deixar de ser feitas por amizade e compadrio de ex-jotas e para a utilização de um sistema de comunicações eficaz em vez de um arremedo em mão de gente amiga, de competência duvidosa.

Para a prevenção ser eficaz, deve ser ultrapassada a negligência por parte de vários governos, suprindo a falta da Guarda Florestal, desactivada em 1977, dos guarda-rios e dos cantoneiros, por exemplo, criando um «corpo nacional de agentes florestais» que fariam uma observação constante do cumprimento da legislação, esclarecendo as populações, aconselhando a colaborar na estratégia preventiva em vigor e comunicando à GNR casos de renitente infracção à lei.

António João Soares
29 de Agosto de 2017

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

NINGUÉM ESCREVE AO CAPITÃO

Ninguém escreve ao capitão
(Publicado no semanário O JORNAL em 29 de Agosto de 2017)

Em geral, quando as pessoas pretendem que lhes façam um favor, mesmo simplesmente na forma de opinião ou de conselho, não deixam de contactar quem os pode ajudar. Mas poucos se decidem a oferecer uma palavra de afecto, de carinho, de esperança e de incentivo para que esse alguém suporte com melhor ânimo as dificuldades da idade.

A frase do título é o resquício da memória de um livro brasileiro, já de há muitos anos, que deixou a ideia de que as pessoas menos gratas e solidárias se encarregam de «passar à reforma» aqueles que deixam de lhes ser úteis. O tema também foi desenvolvido pelo escritor Virgílio Ferreira em «Manhã Submersa» quando o personagem principal, estando num lar de idosos, se lamentava de a filha não o visitar. Num lar com cerca de 100 idosos, apenas menos de uma dezena recebem visitas semanais de familiares e/ou amigos.

Não gosto de referir casos concretos, mas eles ajudam a compreender o que se passa na sociedade, por estimularem a reflexão e a curiosidade sobre o que se passa à volta. Continuo a receber, e-mails mas a quase totalidade é constituída por reenvios (FM) de remetentes que se prestam a servir de carteiros, arremessando para as caixas de entrada dos «amigos» das suas listas de endereços tudo aquilo que recebem. Estou convencido de que muitos reencaminham coisas que não viram nem leram. É impossível que um remetente de álbuns de imagens de várias partes do planeta arranje tempo para ver todas as imagens que reencaminha. Essas imagens pouco interessam a um idoso sem condições de viajar pelo mundo e que está mais interessado em analisar os comportamentos sociais da humanidade e as atitudes de governantes que agem em função de pressões de grandes empresários que actuam por interesse próprio, sem escrúpulos nem respeito pelos outros que serão atingidos pelos efeitos de jogos financeiros.

Há um outro, já na terceira idade, que envia quantidade de vídeos pornográficos que apenas podiam fazer sofrer um idoso qua já passou a fase de sentir tais prazeres e teria o desgosto de nunca ter tido oportunidade para tanta luxúria.

Mas nem tudo é mau. Há quem comungue as intenções de procurar melhorar a humanidade, pela recuperação de valores éticos e cívicos, enviando mensagens muito estimulantes. Uma amiga de Minas Gerais, bisavó, constitui um modelo de solidariedade e de amor ao próximo, com mensagens maravilhosas. Outra, do Cacém, envia mensagens a perguntar pelo estado de saúde do destinatário e a informar da evolução da sua, por vezes com pormenores da fraca qualidade do apoio que recebe que confirmam a ideia com que se fica através de notícias frequentes. Casos como este prestam-se a sermos úteis com conselhos e sugestões que alimentem a esperança e a aceitação serena do inevitável. É positivo podermos colaborar na esperança e na eliminação do stress.

A felicidade das pessoas depende mais do bom relacionamento e das amizades do que do saldo da conta bancária ou do património material e será bom que as pessoas se sintam compreendidas e apoiadas. Um verdadeiro amigo é como o sol: mesmo que as nuvens não permitam vê-lo, sabemos que ele está lá.

Qualquer idoso tem muita necessidade de afecto, coisa que hoje não é muito fácil obter em qualquer situação real. A humanidade precisa de recuperar valores cívicos para que as pessoas sintam amizade e felicidade, em vez de desprezo. Uma pessoa precisa de sentir que tem utilidade para si e para os outros, para evitar a tentação da autodestruição psíquica ou mesmo física.

António João Soares
22 de Agosto de 2017

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

O TERRITÓRIO EXIGE MAIS ATENÇÃO

O território exige mais atenção
(Publicado no semanário O DIABO em 170822)

Os fogos florestais têm sido uma tragédia sem fim à vista. Também a seca e as temperaturas mais altas estão a criar sérias dificuldades na agricultura. São visíveis as alterações climáticas devidas a fenómenos naturais incontroláveis pelo homem, como a inclinação do eixo da Terra que, no caso português, está a fazer sentir o avanço do deserto do Sarah.

Muitos lamentos têm sido ouvidos por pessoas que conhecem bem o interior do país. Algo tem sido dito por técnicos conhecedores das causas dos fogos florestais. Mas isso não resolve o problema porque os cidadãos que foram escolhidos para gerir os interesses dos portugueses, não mostram interesse em conhecer e compreender a essência dos assuntos e, quando legislam, não cuidam de transmitir às autarquias e aos habitantes algo que eles possam compreender e concretizar para bem da Nação.

A floresta tem que ser preparada para resistir aos fogos que a ameaçam todos os anos. Tem sido dito que isso acarreta despesas volumosas, mas é preciso pensar na dimensão das despesas causadas pelos fogos diariamente nesta época estival e decidir se será mais racional gastar na organização da floresta ou deixar que ela seja destruída causando prejuízos mais volumosos. Mas isso não pode ser decidido por palpite, mas sim, baseado em cuidadoso estudo feito por gente conhecedora, planeado, organizado e praticado de forma bem controlada e ajustada às realidades e às suas variações imprevistas.

Já várias pessoas dedicadas aos aspectos nacionais lamentam o desaparecimento de guardas florestais, de guarda-rios e de cantoneiros, que podiam fazer o papel de vigilantes e alertar sobre qualquer desvio pernicioso daquilo que deveria ser feito e ajudar as pessoas a evitar erros.

E, quanto à agricultura, faz pena ver muitos terrenos que outrora davam produção para sustentar os aldeões que dela viviam e mandar educar os filhos e, agora, onde se produzia milho e outros produtos, crescem silvas e vegetação espontânea que no verão serve de pasto às chamas. Não será aconselhável regressar aos métodos de trabalho do passado, mas devem ser difundidas novas metodologias para obter produtos que sejam úteis ao consumo nacional e à exportação. Recordo que, em tempos idos, o eng Sousa Veloso dava na TV uma lição semanal sobre diversos aspectos da agricultura real de forma acessível aos menos letrados.

Esse era um bom serviço prestado pelas televisões ao país. Agora, em vez disso, elas passam o tempo e repetir frases e imagens sobre crimes ocorridos ontem, pormenores de bombeiros frente às chamas, futebol, coscuvilhices e notícias nem sempre comprovadas de campanhas demolidoras contra aquilo que no momento é seu alvo ou dos seus mandantes. Seria mais útil e benéfico aos portugueses se elas transmitissem ideias complementares de formação profissional em coisas que interessam à maioria dos telespectadores.

Certamente, se hoje houvesse um seguidor de Júlio Isidro a ensinar bricolage, haveria menos adolescentes desviados do bom caminho. E se houvesse outro Megre, haveria menos acidentes nas estradas, por haver mais cuidados com a própria segurança e a dos outros utentes.

Para concluir, o território do interior precisa de mais atenção e que os «boys» o conheçam melhor e se sintam sensibilizados para aumentarem o seu saber sobre assuntos reais e para pensar e trabalhar um pouco na elaboração de medidas práticas e eficientes para criar mais segurança e maior rendibilidade do património de que dispomos.

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A PAZ É UM BEM APRECIÁVEL

A Paz é um bem apreciável
https://domirante.blogspot.pt/2017/08/a-paz-e-um-bem-apreciavel.html
(Publicado no semanário O DIABO em 170815)

A busca da paz, harmonia, bom entendimento, deve constituir um objectivo permanente de todas as pessoas, desde as mais simples até às responsáveis pelos estados. Podem chamar-me utópico ou lunático, por assim pensar, mas já aparecem pessoas com grande responsabilidade a manifestar ideais semelhantes. Oxalá o seu número se multiplique, para bem de todos nós e da vida no planeta.

Por isso, sinto-me feliz com algumas notícias que recebo. A mais recente foi a de representantes das duas principais facções da Líbia, com mediação da França, estarem dispostos a passar a ter convivência, harmonia, que crie condições de unidade, segurança e desenvolvimento, num país que já teve grande importância no Norte de África. «Comprometeram-se a um cessar-fogo e a abster-se de fazer qualquer uso da força armada para outro propósito que não estritamente o da luta antiterrorismo». Não será fácil aplicar o acordo num país fracturado, mas já deram um grande passo ao «concordarem realizar eleições “o mais cedo possível” e obedecer a uma trégua entre as suas forças no terreno».

Também a Colômbia passou a não viver amedrontada por ataques de elementos das FARC que passaram a ter uma participação normal na vida do país, depois de entregarem as armas. Recorda-se que, em fins de 2015, elas propuseram ao governo e ao país entrar de imediato, sem condições que apenas levantam desconfiança, numa trégua bilateral prévia, como passo gradual ao cessar-fogo bilateral e definitivo que já estavam visando” e que veio a concretizar-se com êxito.

Em Espanha, a ETA dispôs-se a terminar a sua oposição violenta e a participar no engrandecimento do país.

A China, estado pacífico e tolerante, aconselhou os países do Médio Oriente a conviver como amigos, em paz e com repúdio de guerra. E, quanto ao seu vizinho norte-coreano têm aconselhado a cumprir as condições colocadas pela ONU e a respeitar os outros povos. Porém alerta para que são os Estados Unidos e a Coreia do Norte que têm a "principal responsabilidade" pela escalada de tensões e por negociar a paz na Península Coreana. São estados que têm condições que dispensam o recurso a mediadores, mas que, incompreensivelmente, mostram atitudes de fanfarronice com ameaças crescentes que podem levar a ponto de não retorno.

Estes são alguns exemplos daqueles que entendem que é preferível resolver os atritos pacificamente, por diálogo, do que enveredar pela escalada da violência. Mas é desejável que se ergam mais vozes e se tomem atitudes na defesa dos elevados ideais da convivência pacífica entre os povos, para que se generalize o recurso a conversações, diálogo, negociações, directamente ou com ajuda de mediadores, e se evitem as guerras que tanto mal têm causado a pessoas e aos seus bens materiais, bem como a toda a parte viva do planeta. É certo que os industriais de armamento não estão interessados nesta evolução porque, estando intoxicados pela droga dinheiro, colocam a sua ambição de riqueza acima dos interesses dos humanos seus semelhantes, sem sensibilidade para os sofrimentos que causam. E empurrados por eles, há governantes, de consciência empedernida, sem solidariedade para com os sus semelhantes, que não hesitam em aproveitar pequenos motivos para dar largas à sua vaidade e utilizar armas poderosas, com exagerada capacidade de destruição.

Façamos todos aquilo que está ao nosso alcance para que o mundo viva feliz e possa saborear os bons efeitos da paz e da harmonia social.

António João Soares
8-08-2017

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

SERVIÇOS PÚBLICOS NÃO RESPEITAM UTENTES

Serviços públicos sem respeito pelos utentes
(Publicado no semanário O DIABO em 170808)

O cidadão portador do Cartão nº 03749056 7ZX5, residente em Runa precisou de ir a Lisboa no dia 13 de Julho de 2017. Habituado a usar de pontualidade, com o significado de «estar a horas», estava na estação da CP de Runa às 07h30 para tomar o comboio com paragem prevista no horário para as 08h13, com chegada prevista ao Rossio às 09H59.

O comboio chegou a Runa às 08h50 (com atraso de 37 minutos). Chegou ao Rossio às 10h57, isto é, cerca de 1 hora mais tarde do que que o previsto.

No regresso, o referido cidadão não conseguiu chegar a Sete Rios a tempo de tomar o comboio que passou às 16h44. E, como o comboio seguinte partia de Meleças às 18h35 teve de se deslocar para esta estação, tendo queimado cerca de duas horas no percurso e no cais e embarque, sem comodidade adequada a tão longa espera.

Os horários não estão de acordo com os interesses da generalidade dos utentes, com intervalos muito variáveis e, por vezes exagerados. Por outro lado, os planos feitos pelos cidadãos para os seus deslocamentos não podem ser elaborados com fiabilidade devido a atrasos frequentes na circulação dos trens.

Alguns comboios utilizados nesta linha (do Oeste) têm os vidros de tal maneira pintados que a sua opacidade não permite ver os nomes das estações em que vão parando, o que dificulta aos utentes sair na estação que lhes interessa. E não existe qualquer meio de comunicação a informar qual é «a próxima estação».

Na quinta-feira seguinte, dia 20, o comboio que seguia para Caldas da Raínha, devia, pelo horário parar às 7h10, mas apenas chegou às 7h35 (25 minutos de atraso). O que seguia para Meleças chegou a horas mas, na estação seguinte, Dois Portos, esteve parado mais de 20 minutos, o que se repercutiu num atraso desagradável na chegada ao Rossio.

E, no regresso a partir de Sete Rios que estava previsto no horário ser às 16h44 teve um atraso de 6 minutos, que foi sendo aumentado nos anúncios sonoros, para 10, 20, 27 e 30 minutos. A confusão gerada pelos anúncios, quase sobrepostos a outros, perturbou a atenção e o passageiro perdeu-o e teve que tomar outro comboio para Meleças, de onde partiu às 18h38, quase DUAS horas após ter comprado o bilhete.

No dia 27, o bilhete foi comprado em Sete Rios às 15H49. Às 17h05, depois de muita espera em Meleças, era hora de partir, mas os passageiros que aguardavam foram avisados por um funcionário da CP de que essa viagem não se ia realizar e que teríamos de esperar algum tempo pela seguinte. Às 18h36 o comboio iniciou a viagem, isto é, 2h47 após ter sido obtido o bilhete. As pessoas reclamavam e o funcionário respondia que a bilheteira já estava fechada e podiam entregar reclamação por escrito no dia seguinte. Alguns passageiros ligavam para casa a fim de informar do atraso da chegada, para não estarem preocupados.

Os responsáveis pela CP e os governantes responsáveis pela defesa dos cidadãos devem prestar a devida atenção aos casos referidos e a outros que possam contribuir para um melhor serviço a prestar aos cidadãos. Pensa-se que o investimento em tais medidas será recuperado pelo aumento de utentes atraídos pela maior comodidade deste meio de transporte que é menos poluente do que os rodoviários.

É urgente que as entidades responsáveis actuem eficazmente em defesa das populações do Oeste que precisam de utilizar esta linha. Tal como está a funcionar, É UMA VERGONHA.

António João Soares
1 de Agosto de 2017

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NECESSIDADE DE CORPO DE AGENTES FLORESTAIS

Transcrição de texto de Rute Coelho, publicado no DN em 6/0872017
"Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais"




Reformado da Polícia Judiciária, António Carvalho dedica-se ao setor privado
PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS

António Carvalho trabalha para seguradoras como perito em incêndios.

É na esplanada da Graça, em Lisboa, debaixo da sombra dos grandes e velhos pinheiros-mansos, que vamos ao encontro de um dos maiores especialistas em incêndios do país: António Carvalho, 60 anos, reformado da Polícia Judiciária onde era coordenador de investigação criminal de incêndios. Há quatro anos que trabalha no privado, para várias seguradoras, a fazer peritagens de incêndios e explosões urbano-industriais (para o património florestal não há seguros, dado o risco elevado). É com conhecimento acumulado de décadas que retira conclusões sobre o estado do país em matéria de prevenção de fogos florestais. "Outro Pedrógão pode acontecer", garante. "Os partidos do eixo do poder, PS e PSD, têm há 30 anos um comportamento de negligência grosseira relativamente aos incêndios. Deviam estar calados e escondidos."

Como não aprecia o hábito português de criticar sem apontar soluções, deixa uma sugestão: "Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais, com funções de controlo do espaço florestal e de auxiliares da silvicultura." No fundo, explica, bastaria "vontade política" para ir repescar o modelo dos guardas-florestais que existiu até 1997. "Apesar de serem designados de agentes não teriam funções policiais ou de fiscalização. Cada concelho com um gabinete técnico florestal teria dois agentes." Seria um corpo de pelo menos 250 agentes florestais (existem 300 municípios. "O recrutamento seria feito nas escolas técnico-profissionais e também entre os bacharéis de engenharia florestal."

António Carvalho também defende que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) devia deixar de ser distribuído da forma clássica, com os meios mobilizados na capacidade máxima apenas na fase Charlie, entre 1 de julho e 30 de setembro. "As fases de combate aos incêndios (de 15 de maio a 15 de outubro) estão desajustadas e não estão adaptadas às condições meteorológicas." O país tem vindo a enfrentar anos com seca cada vez mais extrema. "A manta morta dos combustíveis e do espaço florestal tem cada vez menos humidade, os combustíveis secam mais cedo. Temos ventos cada vez mais fortes e inconstantes. Leva a que o risco aumente face ao mesmo espaço. Se o risco aumenta, e temos alteração nas condições climatéricas, tudo o que aconteça mais cedo, em maio ou junho, pode ter repercussões mais nefastas relativamente a outros anos em que só acontecia em agosto." O que se tem visto no terreno este verão "é uma ausência das equipas especializadas no combate imediato ao fogo para irem proteger aldeias isoladas, algumas com duas ou três casas. No fogo de Mação não havia dispositivo no terreno para uma resposta ao tempo".

No combate aos incêndios o tempo é crucial. "Mandam dez aviões e 500 homens, por exemplo. Mas a pergunta que se tem de fazer é: ao final dos primeiros 60 minutos quantos lá estavam? Passada essa primeira hora o incêndio torna-se proativo e propaga-se."

Perante a descoordenação dos meios a que o país tem assistido, António Carvalho não tem dúvidas de que é possível acontecer outra tragédia como Pedrógão. "Proteger as pessoas está correto mas temos de impedir que o fogo chegue perto das habitações. E não é no terreno que se toma essa decisão. E depois vemos nas televisões imagens das pessoas com mangueira de rega a combater as chamas e a cortarem a erva à volta da casa, erva que deviam ter cortado três meses antes. E andamos a protegê-los? O que é que a freguesia e o concelho fizeram para que a lei fosse cumprida? "Fala com o desgaste de quem já está farto de incúria. Falta "intervenção estratégica", garante. "Tirando 1% a 2% de causas naturais que são atmosféricas, 99% dos incêndios em Portugal têm intervenção humana e acontecem por negligência, que é punida até cinco anos. Os fogos com causa intencional, com dolo, punidos até 13 anos, são residuais. O primeiro passo devia ser "impedir que os incêndios por negligência (queimadas, atirar pontas de cigarro, fogueiras para churrascos ou para redução de combustíveis) aconteçam, apostando numa fiscalização estratégica". Essa fiscalização deve ser feita pela polícia de proximidade, que é a GNR nas zonas rurais. "Nas zonas em que se fazem queimadas agrícolas, até às 10.00 ou 11.00 da manhã, o reacendimento pode acontecer por volta das 14.00. A autoridade devia ter estes períodos em consideração. Se um fogo fica ativo à meia- -noite então foi posto porque a essa hora não há queimadas."

Quanto aos incendiários locais, lembra que estão estudados pela PJ e que "deviam ser integrados nas equipas de combate aos fogos ou de tratamento das florestas". Porque o que acontece é serem "presos e libertados", sucessivas vezes. Para António Carvalho "o país não está melhor do que no tempo da troika, está na mesma, e não tem outro remédio senão ficar na União Europeia. Devemos continuar a receber refugiados mas tratá-los como imigrantes que estão integrados na sociedade e trabalham".

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domingo, 6 de agosto de 2017

SEGREDO DE «INJUSTIÇA»




Transcrição do texto de António Barreto publicado no DN de 30-07-2017.
Segredo de injustiça

Como foi possível chegar aqui, a esta polémica obscena a propósito dos fogos, em que quase todas as opiniões sobre os desastres, as causas, as soluções e as responsabilidades são dominadas pela simpatia partidária? O governo e apoiantes tudo fazem para esconder o falhanço, dissolver responsabilidades, acusar os serviços e denunciar a oposição. A oposição vitupera e acusa, faz demagogia, aproveita e aproveita-se. Toda a gente sofre em directo e chora para as notícias das oito. Fala-se em nome dos mortos, poucos referem os vivos. Percebem-se os incêndios. Com o clima mediterrânico, as nossas matas, a desordem florestal, a insuficiência de bombeiros profissionais, a inércia dos governos fora da estação dos fogos, os criminosos mal castigados, as nomeações partidárias para os serviços de prevenção, a aquisição de um sistema de comunicações pelo ministro de então que é o primeiro-ministro de hoje, as misteriosas compras de equipamento pesado, os estranhos contratos de aluguer de meios de combate, a corrupção imposta por alguns bancos e umas tantas empresas de serviços, com tudo isto, percebe-se que haja incêndios, que não haja prevenção adequada, que a luta contra os fogos acabe por ser descoordenada e ineficaz, que se coloquem em perigo de vida os bombeiros, os polícias, os enfermeiros e os guardas, para já não falar dos cidadãos, dos lavradores e dos velhotes.

Mas há algo que não se percebe. Como foi possível que um conjunto de instituições, prestigiadas umas, outras menos, considere que um desastre esteja em "segredo de justiça" e que este se aplique a uma lista de mortos... Segredo de justiça? Para acidentes deste género? É simplesmente absurdo! Como é possível admitir que um governo invoque o segredo de justiça e se reclame da separação de poderes para não publicar a lista de mortos desde o primeiro minuto? Como foi possível chegar a esta hipocrisia canhestra que tenta esconder-se atrás de argumentos jurídicos que nada têm que ver com o assunto? Uma lista de mortos a enterrar é um segredo? De quem? Para quem? Os governos, as direcções-gerais, as empresas de seguros, os bombeiros e os autarcas não têm obrigações perante os cidadãos? O que estava realmente em segredo? Os nomes? As circunstâncias? O sítio da morte? Ou as responsabilidades do governo?

Como é possível que se tenha estabelecido um black out informativo tentando impedir que autarcas, bombeiros, comandantes de guardas e polícias, responsáveis pela prevenção e pela saúde informem o público? E que se acuse de oportunismo e demagogia quem quer que faça perguntas sobre o que se passou? E que os partidos que apoiam o governo sejam incapazes de uma exigência de informação? Desde quando é demagógico fazer perguntas? Por que razão não se pode ou não se deve discutir o que realmente fez a diferença, isto é, a falha de previsão, a ausência de prontidão, a falta de coordenação e a carência de autoridade? Quem assim reage, como reagirá em todos os outros casos?

Como foi possível desnaturar de tal modo a democracia e os costumes para se chegar a este ponto? Como foi possível deixar que esta democracia se parecesse com a ditadura aquando das inundações de Lisboa e de outros desastres, para já não falar dos feridos e mortos da guerra do Ultramar com os quais o governo tentava também fazer selecção e tratamento? Como deixaram os deputados, os magistrados, os militares, os médicos, os autarcas e os comandantes dos bombeiros e das polícias que se chegasse a este ponto?

Que é feito dos homens livres do meu país? Estão assim tão dependentes da simpatia partidária, dos empregos públicos, das notícias administradas gota a gota, dos financiamentos, dos subsídios, das bolsas de estudo e das autorizações que preferem calar-se? Que é feito dos autarcas livres do meu país? Onde estarão eles no dia e na hora do desastre? Talvez à porta do partido quando as populações pedirem socorro e conforto.

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A PROCURA DA VERDADE



Transcrição do texto publicado por Henrique Neto em O DIABO de 1-08-2017. Merece ser lido atentamente, pensando na realidade nacional.
A procura da verdade

A procura da verdade é uma das mais nobres qualidades humanas, reveladora de um estágio de avanço civilizacional no plano colectivo e de desenvolvimento moral no plano individual. Sendo porventura na actividade científica que a procura da verdade é feita com regras mais sólidas e há mais temo, sabendo-se que a verdade de cada cientista é profundamente escrutinada por muitos outros que têm a competência necessária para o fazer.

Infelizmente, em Portugal, fala-se pouco e valoriza-se muito pouco a procura da verdade e, raramente, existe a cultura de procurar a verdade de forma onde isso é feito sistémica, à parte, como disse, do campo científico onde isso é feito. Pior, é o facto de que nas actividades políticas e informativas se instalou uma cultura propagandística da verdade relativa, ou da verdade possível, por vezes da mentira pura e dura, que tendem a tornar aceitáveis critérios de relativização da verdade, através da criação de um manto mais ou menos diáfano da fantasia.

Algumas das formas mais usadas para iludir a verdade, ou para desmotivar a sua procura, é a de tornar complexos os acontecimentos mais simples e de cercear o acesso à informação necessária para que seja possível chegar à verdade. A técnica de adiar informações e decisões serve, simultaneamente, objectivos múltiplos: o de desencorajar a procura da verdade e o de facilitar o esquecimento, além de permitir que novas notícias, falsas ou verdadeiras não importa, contribuam para desorientar a procura da verdade.

Nos últimos anos, os partidos políticos portugueses e os governos têm vindo a aperfeiçoar este sistema de relativização da verdade e de ilusão da realidade, no que é presentemente um poderoso instrumento de manipulação política, que envolve alguma influência nos meios de comunicação e o trabalho de equipas de intervenção nas modernas redes sociais. O Partido Socialista conseguiu, a partir de José Sócrates, alguma excelência profissional neste domínio, com alguns aperfeiçoamentos posteriores, sendo que os outros partidos tentam agora recuperar o tempo perdido, mas em condições mais precárias e menos profissionais. Por exemplo, o Bloco e Esquerda utiliza a excelência discursiva dos sus dirigentes com acesso privilegiado à comunicação social para atingir os mesmos objectivos.

O sucesso destas técnicas de manipulação do mercado eleitoral, com o objectivo principal de manter níveis elevados de aprovação nas sondagens, passa por eleitores não muito esclarecidos, pelo anúncio e medidas positivas, reais ou imaginárias, e pela permanente mudança de foco de atenção das pessoas. Nos casos recentes do fogo de Pedrógão Grande e do roubo de armas de Tancos, as técnicas de relativização da verdade têm sido seguidas com notável disciplina, nomeadamente ao nível do PS e do Governo, sendo que o único factor divergente resultou da insistência de alguns meios de comunicação e do sentimento geral dos portugueses, que mostram continuar interessados no tema. Ou seja, apenas o interesse das pessoas e da comunicação social nos poderá aproximar da verdade nestes dois casos.

Nestes, como noutros casos, há por vezes tentativas de suavização da fuga à verdade, como aconteceu recentemente quando o Presidente da República relativizou a questão do número de mortos m Pedrógão, com o argumento de que diferentemente dos regimes de ditadura, em democracia a verdade acabaria por ser revelada. O que está longe de ser verdade, nomeadamente em países como Portugal, em que as instituições do Estado e da sociedade dependem excessivamente dos governos e são fracamente independentes. Basta recordar a grande unidade revelada quer no Governo quer na generalidade das instituições, sobre Tancos e sobre as explicações para a tragédia de Pedrógão Grande. É verdade que a procuradora-geral da república mostrou a sua independência revelando a lista dos mortos, mas no tempo de José Sócrates a sua dependência do então Primeiro-Ministro era evidente.

Em resumo, é na procura sistémica da verdade e na independência das instituições, bem como no carácter dos escolhidos individualmente pelo povo – e não em listas fechadas - que em democracia os cidadãos podem esperar conhecer a verdade e ser governados em função da realidade. Em Portugal estamos longe de que estejam cumpridas estas condições.

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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

EM QUE MÃOS ESTÁ O FUTURO DOS CIDADÃOS ?

Em que mãos está o futuro dos cidadãos?
(Publicado no semanário O DIABO em 170801)

Os burocratas que estão à frente de serviços e instituições públicas, do Governo, da AR e das autarquias parecem desconhecer «quase» totalmente As realidades nacionais que condicionam as vidas dos cidadãos. Vivem e actuam como boias em águas pouco turbulentas sem preparação para prever e resolver acontecimentos preocupantes e sem capacidade tomar decisões correctas e sustentáveis, mostrando ignorar a metodologia para a preparação da decisão a que me referi em O DIABO de 27 de Setembro de 2016 http://domirante.blogspot.pt/2016/09/preparar-decisao.html

A formação que a maioria obteve está eivada da «experiência» de jotinhas como está descrito, desde há mais de cinco anos, em «Carreira política», http://domirante.blogspot.pt/2012/07/carreira-politica.html, e não lhes permite agir com racionalidade e pragmatismo, perante situações graves, limitando-se a ganhar tempo, a proferir afirmações inócuas e inconsequentes e esperar que a crise amaine.

Isto tem sido constatado, até pelos menos atentos, nos incêndios florestais, nos «furtos» de armamento, nas falhas inoportunas do SIRESP, etc. As pessoas nomeadas para funções que exigem adequada preparação, competência, sentido de responsabilidade e dedicação ao serviço público são, muitas vezes, resultado de amiguismo, cumplicidade e conivência nas «brincadeiras» partidárias, em vez de serem escolhidas por concurso público ou por cuidadosa escolha com fundamento em experiência e resultados de trabalhos realizados, comprovativo de competência no âmbito da função a desempenhar.

Os resultados de tal compadrio estão bem à vista. Não se cultiva o gosto pela excelência da forma de realizar as tarefas nem pela criação de uma imagem com boa qualificação em resultado do trabalho feito. Daí que seja frequente ouvir-se que os boys querem ir para tachos em que em que possam enriquecer muito, em curto prazo e por qualquer forma. Para isso, a sabujice ao chefe pode estar mais à mão do que a ostentação do seu bom serviço e a perfeição das tarefas realizadas.

Para concluir, duas reflexões acerca de notícias lidas no dia 19/7.

Os fogos florestais continuam, como as notícias têm mostrado, nos distritos de Viseu, Guarda, Vila Real... Não estão a ser aplicadas as lições que deviam ter sido aprendidas com o caso, tão badalado, de PEDRÓGÃO GRANDE. Que espécie de conteúdo têm no crânio os responsáveis pela protecção civil, pela Natureza do País, principalmente pela floresta e pela segurança das pessoas e dos seus haveres. Consta que já, há anos, fizeram lei para garantir a protecção da floresta contra incêndios. Que tipo de lei? Porque não a cumprem nem a fazem cumprir? Porque razão continuamos sem a Guarda Florestal e sem os cantoneiros?

A Liga de Bombeiros e Protecção Civil não se entendem, não querendo a primeira ser comandada pela segunda. Perante isto, o Governo deve averiguar os motivos das divergências, ouvindo as duas partes, analisando as suas estruturas organizativas, as regras de procedimentos e , principalmente, os critérios que levaram às nomeações dos respectivos quadros. Talvez tenha sido dada prioridade a boys sem experiência nem formação adequada aos objectivos de cada instituição, os quais não podem deixar de ser convergentes para os interesses dos cidadãos de Portugal.

António João Soares
25 de Julho de 2017

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA

Os cães ladram e a caravana passa
(Publicado no semanário O DIABO em 170725)

No meio das múltiplas notícias sobre a tensão crescente entre a Coreia do Norte e os EUA recordei o aforismo dos tempos de criança «os cães ladram e a caravana passa». É desconcertante a atitude infantil do líder da Coreia do Norte ao querer trepar para um patamar que o coloque ao nível do presidente dos EUA. E é demasiado traquina ao ponto de não recuar ao ver o porta-aviões e a sua esquadra perto da costa. Mas também é pouco racional a atitude dos EUA de se mostrarem preocupados com a traquinice renitente de Kim Jong-Un que, por enquanto, não causou danos pessoais nem materiais.

Ter mísseis não é crime. É, apenas, a imitação de variados Estados que, como como a Coreia do Norte, são membros das Nações Unidas, que é considerada uma Instituição Internacional defensora das relações internacionais democráticas. Ter armas nucleares também não consta que seja crime e o exemplo vem dos próprios EUA, os quais já a utilizaram causando resultados catastróficos no Japão. É certo que o Conselho de Segurança tem imposto restrições a pequenos países a quem não concede os direitos que os cinco grandes – com assento permanente e direito de veto – usam ostensivamente e de forma nada democrática, considerando-os exclusivamente seus.

Mesmo que a Coreia do Norte, numa das suas experiências, por erro de pontaria, provoque alguns danos, não será original face aos estragos feitos pelos EUA em diversos pontos do globo em territórios de estados soberanos, como Iraque, Líbia, Síria, etc. Mas, se e quando houver tais danos provocados pela Coreia do Norte, então já é motivo para a resposta dura que está sendo prometida, ameaçadoramente, por Trump.

Mas é imperioso que seja seguida, com sensatez e inteligência, a sugestão da China e da Rússia de procurar por conversações, diálogo e outros efeitos da diplomacia, terminar a tensão existente e procurar uma convivência pacífica entre os Estados e que deixe de haver «miúdos traquinas a fazer e prometer perrices» só para irritar o graúdo. E um outro aforismo antigo diz «cão que ladra não morde» e aplica-se a ambos os lados das contendas de crianças.

Mas o norte-coreano tem obtido êxito com as suas traquinices levando a comunicação que temos a dar-lhe nome e imagem muito acima do valor e poder do seu pequeno país. Porém, apresar de tudo, convém não exagerar na escalada de ameaças verbais, para não correr o risco de ultrapassar a linha limite da paciência de uma das partes, principalmente da mais forte.

A propósito desta escalada de provocações, um recente artigo de opinião do principal jornal norte-coreano, o Rodong Sinmun, dizia que "os Estados Unidos afirmam que vão enviar de forma regular bombardeiros estratégicos para a península da Coreia, um acto tão disparatado como voltar a atear fogo em cima de um depósito de munições". Seria mais prudente que de ambos os lados, houvesse contenção e fossem desenvolvidos gestos significativos de desejos de harmonia e convivência pacífica, em condições serenamente definidas. Quem teria mais a ganhar seria, logicamente, o menos forte e, na sequência, toda a humanidade, por desaparecer este foco infeccioso qua ameaça graves perigos para o planeta.

António João Soares
Em 18 de Julho de 2017

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terça-feira, 18 de julho de 2017

RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL

Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)

O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.

A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.

O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.

Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.

Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência. Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.

O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.

Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.

Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.

Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.

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terça-feira, 11 de julho de 2017

SERÁ QUE A RESERVA MORAL DA NAÇÃO ENFRAQUECEU?

Será que a reserva moral da Nação enfraqueceu?
(Publicado no semanário O DIABO em 170711)

A tragédia que afectou muitos portugueses do interior, principalmente da denominada «zona do pinhal», com os fogos florestais, deve ser motivo de boa reflexão. Foi um grande abalo, principalmente por terem sido criadas leis com medidas para os prevenir, mas que não foram concretizadas no terreno por não terem sido criadas condições adequadas. Com as alterações ocorridas nas técnicas agrícolas que tornaram menos utilizados os matos, a caruma e os ramos dos pinheiros, o que mantinha as florestas permanentemente limpas, os fogos tornaram-se mais frequentes e é incompreensível, perante tais evoluções, a decisão de extinguir a Guarda Florestal que teria um papel importante na supervisão do cumprimento das regras legisladas destinadas a evitar incêndios e, também como consequência, na mentalização das populações, autarquias e serviços inerentes à prevenção. E nada ficou com aptidão e missão para a substituir, nessas indispensáveis tarefas. A imposição das adequadas medidas preventivas reduziria a calamidade que, desde há vários anos, ameaça com gravidade crescente as vidas e os bens dos habitantes das áreas mais desprotegidas.

Mas, quase ao mesmo tempo desta tragédia, a Nação sofreu outro forte abalo, o da ineficácia das forças que em tempos foram denominadas «reserva moral da Nação». Por incúria, parece que continuada, mostraram que não são capazes de defender a Nação, pois nem sequer conseguem impedir que lhes furtem o armamento guardado em paióis que era suposto serem guardados de forma a torná-los invioláveis.

Quais as causas deste furto, como de outros já ocorridos nos seus quartéis e também na Polícia. Parece haver um enfraquecimento da disciplina, da dedicação ao cumprimento do dever, do sentido de responsabilidade, incutido na mente dos recrutas do serviço militar obrigatório (SMO). Mas este foi extinto como o foi a Guarda Fiscal. Parece doença endémica generalizada!

Desapareceu o culto da excelência e poucos procuram evidenciar-se pelos resultados excelentes das suas acções. Noutros tempos, não havia horário para, à tarde se sair das unidades, pois isso não dependia de relógio mas sim do «toque de ordem», quando a ordem de serviço já estava afixada nas vitrinas das subunidades. Não era muito utilizada a dureza da instrução porque essa era doseada por forma a dar importância à acção cívica, à disciplina, à actividade em trabalho de equipa com vista a objectivos e tudo isso orientado para o respeito pela Pátria, para a defesa do País e dos interesses colectivos. Era a procura da eficiência com vista à segurança das pessoas e dos materiais.

Há quem diga que os militares que se encontram de guarda aos quartéis, por receio de acidentes com arma de fogo, não têm condições para responder com a necessária rapidez a agressores violentos. E é preciso adequar as condições de actuação de sentinelas ao momento actual de ameaças de terrorismo e outros actos violentos. Há casos em que a reacção dos responsáveis pela segurança tem que ser imediata e adequada às circunstâncias. Portanto a instrução deve preparar o pessoal para reagir prontamente a situações críticas, sem perder a sensatez e o auto-domínio.

Resumindo, estes dois acontecimentos indesejáveis exigem dois tipos de decisões imediatas uma com efeito relativamente rápido e outra de resultados mais demorados mas sustentáveis no futuro. A primeira consiste em remediar os danos causados, com medidas adequadas. A outra traduz-se em analisar cuidadosa e rigorosamente as causas do sucedido e preparar medidas muito correctas e ponderadas para o futuro, a partir de agora, para colmatar os erros, omissões, falhas de organização, desleixos, irresponsabilidades, etc. que ocasionaram os acidentes. Assim se definirão lições de organização e procedimentos que evitem repetições de situações críticas.

Será bom que o sucedido no mês dos Santos populares seja bem aproveitado como lição e incentivo para serem realizados melhoramentos nas instituições públicas por forma a terem mais eficiência nos resultados a obter, a bem dos interesses nacionais. Façamos tudo para bem da Pátria, que é de todos nós mas que muitos ignoram e desprezam. Defendamos todos e cada um dos seus sectores, desde a floresta até à força moral dos defensores de Portugal, que devemos defender em todos os aspectos, quer físicos e materiais, quer cívicos e morais. Façamos tudo quanto pudermos para tonificar a reserva moral da Nação, para darmos ao mundo novos exemplos de bem-fazer, como diria Luís de Camões se ainda fosse vivo.

António João Soares
4-07-2017

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terça-feira, 4 de julho de 2017

A ÉTICA DEVE SER SEMPRE RESPEITADA

A Ética deve ser sempre respeitada
(Publicado em O DIABO em 4 de Julho de 2017)

O valor de um ser humano depende fundamentalmente da sua interacção com os outros, isto é, da ética ou civismo com que se comporta. Isso manifesta-se de múltiplas formas, em diversas ocasiões, em que o respeito pelos outros é posto à prova.

Na circulação rodoviária há o código da estrada que define os deveres e direitos de cada um e são definidos por lei, entre muitos outros aspectos, o direito de prioridade e a proibição de estacionamento em condições que afectem os direitos de circulação de outros. Para o movimento de peões não existe um código semelhante e, por isso, deve haver ética e preocupação de não prejudicar o direito de os outros usarem o espaço público, com o máximo de comunidade.

Estou a recordar-me daquilo que se passou comigo, há algum tempo, no acesso à Estação da CP do Rossio. Como vinha fazendo desde algum tempo, saía do Metro dos Restauradores, entrava para a estação e subia a escada rolante. Naquele dia em frente da entrada estavam duas senhoras, talvez mãe e filha, tendo saído ou querendo entrar, que tinham alguma hesitação e conversavam (ou discutiam) e dificultando que outra pessoa entrasse ou saísse sem ter de as empurrar para um lado. A seguir, um casal estava a impedir o acesso à escada rolante que subia, sendo preciso dar-lhe um toque no braço e dizer «com licença, faz favor». Dias depois, neste segundo local, um indivíduo, a caminhar para trás, ao mesmo tempo que conversava com outras pessoas, obrigou-me a dar um salto para não tropeçar na perna dele e cair. Tal queda poderia ser danosa para um octogenário.

Estes casos não são raros, infelizmente, e demonstram impreparação de muita gente para viver com respeito para com os outros tal como desejam para eles. Uma distracção pode ocorrer, mas não deixa de significar falta de civismo, de ética, de educação.

Mas nem tudo é mau. Gosto de dizer «obrigado» e de fazer algo que me dê o prazer de ouvir essa palavra sempre agradável. Una dias depois do atrás referido e quando andava a reflectir sobre o caso, ouvi-a duas vezes dita de forma simpática. Às 08h00, na fila de espera para a Loja do Cidadão, estava à minha frente um mais idoso do que eu, apoiado numa bengala e mexendo as pernas mostrando incomodidade de estar em pé, como havia uma esplanada com cadeiras, aconselhei-o a sentar-se numa e que eu lhe guardaria o lugar na fila. Esta foi-se movendo por acomodação das pessoas e, às 08h30, iniciou-se a movimentação decisiva, olhei para trás e vi o sr já de pé, mostrei-me para saber onde eu estava e lá tomou o lugar inicial, com um obrigado. A segunda vez, depois de almoço, descia uma calçada muito inclinada com passeio estreito, com carros estacionados e vi que uma senhora vinha a subir, com a fadiga própria da inclinação da via, e para não termos o incómodo de ambos pararmos e nos espremermos para passar, parei num espaço mais folgado e esperei que ela passasse e ouvi o reconfortante obrigado.

Enfim, não é difícil ser amável e, muitas vezes, ouve-se o prémio da ética. Ouvir um «obrigado», «faz favor» ou outra amabilidade semelhante reconforta e dá energia para enfrentar as dificuldades da vida. Mas o relacionamento de harmonia e paz deve também existir entre os Estados e é justo que se cite o exemplo dado pela China que se preocupa muito com a boa harmonia entre Estados, como o tem demonstrado em vários casos. Antes do século VII a.C. iniciou a construção da emblemática muralha para evitar a invasão de Mongóis de outras tribos nómadas, evitando guerras. Mesmo assim, a Mongólia invadiu o seu território durante quase todo o século XIII, mas conseguiu que saísse. Também, tendo no século XIX sofrido duas invasões pela Grã-Bretanha, na «guerra do ópio», conseguiu libertar-se dos invasores. Também depois da II GM se conseguiu libertar da invasão pelo Japão. Em 1 de Abril e 2001 interceptou no seu espaço aéreo um avião espião americano EP3 que, entretanto, chocou com um dos caças chineses, que acabou por cair no mar com o piloto, e obrigou-o a aterrar na ilha de Hainan, tratando com humanidade os seus tripulantes e permitindo a sua retirada cerca de duas semanas depois.

Não consta na história que a China tivesse desencadeado qualquer guerra e merece destaque o acto de o Governo chinês ter recomendado em 05-06-2017 aos países árabes que se "mantenham unidos", face à decisão da Arábia Saudita, Egipto, Emiratos Árabes Unidos e Bahrein de romperem relações diplomáticas com o Qatar, e depois de Trump, durante a sua visita à Arábia Saudita, ter incitado ao recrudescimento da luta contra os apoiantes do terrorismo. Segundo a China, esses países devem gerir adequadamente as suas diferenças através do diálogo e consultas, e manterem-se unidos para promoverem, conjuntamente, a paz e a estabilidade regionais.

Assim, verificamos que a ética e o bom relacionamento devem ser tidos em consideração nas relações entre todos os seres humanos de qualquer classe social, até aos mais poderosos governantes.

Runa, 30 de Maio de 2017
António João Soares

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

REGIMES POLÍTICOS NECESSITAM DE REFORMAS

Regimes políticos necessitam de reformas
(Publicado em O DIABO em 27 de Junho de 2017)

Os sistemas eleitorais têm dado resultados pouco credíveis, pouco realistas e imprevisíveis e sem agradarem plenamente, o que nada abona a favor dos ideais democráticos.

Houve o caso português com o artifício de criar a geringonça. Nos EUA diz-se que o vencedor das eleições presidenciais não correspondeu ao detentor do maior número de votos. Em Espanha houve confusão nas legislativas de que resultou a demora de constituição de novo Governo e este só surgiu depois de novas eleições. Em França, na eleição presidencial acabou por se escolhido um candidato independente e de os partidos mais tradicionais e credenciados terem ficado derrotados. Agora, na Grã-Bretanha a vencedora não tem maioria absoluta no Parlamento e surgem muitas dúvidas quanto à capacidade de o brexit ser negociado com a UE de forma favorável aos interesses da Grã-Bretanha e já há quem receie que as cláusulas do acordo a elaborar sejam ditadas pela UE, sem respeitar interesses essenciais do Reino Unido, por estes não serem devidamente defendidos.

A doutrina democrática está em falência, com os partidos a perder prestígio e o sistema eleitoral a necessitar de profunda reforma. No horizonte, pairam sinais de que o mundo poderá estar a orientar-se para a ditadura, com o povo desorientado, pelo poder disperso democraticamente, e estar à procura de rumo para uma concentração na mão de um pastor todo poderoso, a quem o povo obedece, como ovelhas dóceis ou como crianças de colégio infantil que se deslocam em filas de dois, de mãos dadas, sob a vigilância de educadoras. Mas, atenção, um tal regime exige regras e pessoas interventivas que apresentem sugestões e propostas que impeçam excessos autoritários que originem pior instabilidade do que a da democracia.

Será bom que surja um filósofo, doutrinador, que apresente boas hipóteses de solução e que escolha a melhor e a esquematize por forma a definir o objectivo principal de organização e regras de funcionamento.

Mas, entretanto, há que aproveitar todas as oportunidades para criar força anímica no sentido de as energias serem bem encaminhadas para objectivos essenciais, para olhar em frente. Porém, deve haver a sensatez de evitar que, ao dar um passo, não se entre em aventuras caprichosas sem estar bem consciente de que não haja desvios do trajecto que conduz ao resultado desejado. Porém, é preferível mudar do que ficar impassível no pântano até à putrefacção total. No nosso caso lusitano, há que dar valor à coragem, embora com resultados criticáveis, daqueles que fizeram o 5 de Outubro, o 26 de Maio e o 25 de Abril. E há, também, que analisar os erros cometidos durante aquilo a que os militares chamam «exploração do sucesso», há que agir após um planeamento para a acção e para o que dela resultará, a fim de se poder ir «mais longe e mais além». E, relembrando os Lusíadas, não é preciso ir «além do que permite a força humana», mas sim, fazer um bom aproveitamento de todos os recursos, humanos, materiais e tecnológicos a fim de recuperarmos a «Nação valente e imortal» pela qual todos ansiamos. Cabe a cada um de nós desenvolver o máximo esforço para assegurar o futuro dos netos e ninguém deve ficar sentado à espera que sejam outros a trazer-lhe, numa bandeja, um futuro melhor. Temos que procurar ir «para além da Taprobana». E nada de bom se consegue com violência. Querer combater a violência com mais violência é como querer matar a fome com mais recusa de alimentos. Pensemos nisto e façamos tudo o que pudermos, tudo quanto «permita a força humana».

Em qualquer gesto de reforma ou mudanças no regime, é conveniente não se limitar a pequenos retoques, isto é, há que se inserir numa visão de conjunto com vista a objectivos abrangentes para serem sustentáveis. Por exemplo, é opinião corrente que os partidos têm sido o cancro fatal da democracia, como ultimamente se viu em França e na Espanha, onde essas ferramentas tradicionais foram postas de lado por novos grupos. Oxalá estes saibam gerir melhor os interesses colectivos dos seus concidadãos. Em Portugal, o fenómeno ficou-se pela geringonça que, por ser constituída por partidos viciados no sistema, nada mudou no aperfeiçoamento da Justiça, na eliminação da corrupção, na recusa de obedecer aos poderosos da finança, na simplificação da administração despedindo «boys» que nada fazem (ou tudo complicam) e vivem a pensar no dia em que recebem o salário, na injustiça social, etc.

Haja vontade e amor pátrio e coragem para levar a carta a Garcia. Os cidadãos desejam e merecem que se faça tudo pela melhoria da sua qualidade de vida, em clima de Justiça Social.

António João Soares
Em 20 de Junho de 2017

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terça-feira, 20 de junho de 2017

A VIOLÊNCIA GERA MAIS VIOLÊNCIA, ÓDIOS E VINGANÇAS

A violência gera mais violência, ódios e vinganças
(Publicado em O DIABO em 20 de Junho de 2017)

Embora consciente de que não é fácil amenizar o lado selvagem da mente dos governantes das grandes potências, tenho repetido o alerta de que a violência não dá bons frutos e, pelo contrário, dá origem a mais violência em escalada imparável, a ódios e a desejos de vingança. Vemos a concretização deste fenómeno a cada passo como se viu com o atentado em Cabul em que um carro armadilhado matou pelo menos 90 pessoas e feriu cerda de 400, perto do Palácio Presidencial, onde se encontram várias embaixadas e edifícios do Governo, causando danos nas embaixadas da França e da Alemanha.

A confirmar a ideia atrás exposta, recordemos que em 13 de Abril, os EUA lançaram no Afeganistão a maior bomba não nuclear do seu arsenal, a «mãe de todas as bombas», alegando com fanfarronice que, com isso, iam eliminar o Estado Islâmico. Mas este, sem grande demora, reagiu e, no dia 22, perpetrou um ataque contra base militar, causando a morte a mais de 100 soldados afegãos.

E não ficaram por aí, pois em 3 de Maio causaram oito mortos e 26 feridos em ataque a caravana da NATO em Cabul. E no último dia de Maio, novo atentado em Cabul fez os resultados atrás referidos.

Mas se os governantes são os decisores de acções violentas de retaliação que activam o terrorismo e as acções violentas contra os direitos humanos à vida e à harmonia social, eles não são os responsáveis conscientes dessas suas acções, porque quem impõe as guerras e obriga os governantes a fazê-las são os fabricantes de armas. O general Dwight Eisenhower, nos últimos tempos de vida, alertou para o perigo que os milionários do «complexo industrial militar» representam para a PAZ e pela pressão que fazem sobre governantes e chefes de grupos terroristas e dissidentes oposicionistas, para aumentarem o seu negócio, para consumirem o veneno que fabricam.

Por isso um líder de grande potência, antes de decidir, deve ouvir pessoas clarividentes de vários sectores e as suas opiniões devem ser tidas em atenção e respeito. O Trump não tem cura e age por palpite, empurrado pela sua vaidade e ambição, mas sem raciocinar sobre o efeito dos actos que desencadeia. Era previsível que a «bomba mãe de todas as bombas» não iria terminar o terrorismo islâmico nem acabar com o Daesh, mas apenas um acto de violência, com efeito na propaganda, mas que, na realidade, seria mais uma jogada que incitava resposta e esta não demorou e com demasiados resultados graves.

Será que o abandono do Acordo de Paris constitui mais um erro, já condenado por todo o Mundo? Há quem preveja que, sem mais cuidados na redução da poluição, haja alterações climáticas cada vez mais graves, provocando doenças e mortes e aumento da emigração devida à desertificação de extensas áreas sensíveis. Erros de hoje produzirão tragédia para os nossos descendentes.

Quanto à intromissão nos assuntos internos de outros estados, deve ser muito bem ponderada preparando resultados positivos, com respeito pelos verdadeiros direitos das pessoas. Hoje, há diversos analistas a referirem os péssimos resultados para os estados visados e as áreas em que se encontram das destituições e mortes de Saddan Hussein no Iraque e de Muammar Khadafi na Líbia. Num e noutro destes dois casos, os resultados são visíveis na situação de guerra e de caos em que passaram a sobreviver as populações. Casos como estes devem ser tidos como lições sobre a necessidade de bom senso, racionalidade, sensibilidade e humanidade.

Prefira-se a negociação em vez da violência. Desenvolva-se a diplomacia, e mantenham-se os militares preparados para resolver apenas casos extremamente graves e excepcionais. Os diplomatas devem ser preparados e mentalizados para incentivar a procura de soluções por meio de diálogo e negociação entre as partes desavindas e servir de intermediários para conduzir as partes a encontros bem aceites. Evitem a violência e defendam o reforço da harmonia e da paz. Querer eliminar a violência à custa de mais violência é como querer matar a fome com mais privação de alimentos.

13 de Junho de 2017
António João Soares

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