quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Povo que escarras no rio!

Se serviste a Pátria e ela te foi ingrata, tu fizeste o que devias, ela o que costuma."
Padre António Vieira

Recentemente, um grupo de camaradas que havia feito uma colecta para ajudar a família do João Roma Pereira, deslocou-se ao Redondo para a missa do aniversário da sua morte e entregou à família a ajuda de que carecem, pois dependiam do vencimento do esposo e pai para viverem.

Até à presente data, o governo eleito por maioria, por este mesmo povo que o João representava internacionalmente, ainda nada pagou à família.

A Associação de Comandos e outros camaradas jamais deixarão cair os familiares dos seus. A minha revolta é surda...!

O Governo, liderado por esse grande homem com M grande, ainda não pagou a indemnização devida nestes casos e já lá vai mais de um ano.

Em cada discurso roto, o mesmo escuda-se na legitimidade da maioria que o elegeu e vós povo sois culpado de nada dizerdes e de fazer nem se fala. É a ditadura da maioria democrática!

Que povo sois vós que permitis que se protejam e se paguem chorudas reformas a pedófilos, vigaristas, burlões, pederastas promovidos por o serem, concubinas elevadas a técnicas superiores de subida horizontal, assim com outros cidadãos exemplares da mesma igualha?

Que povo sois vós que legitimais os cobardes que se refugiaram no estrangeiro enquanto os vossos filhos combatiam, morriam, ficavam estropiados ou afectados psicologicamente por causa da guerra dita colonial?

Que povo sois vós que não entendeis que com fim do serviço militar obrigatório só os vossos filhos que não tem acesso a cunhas, compadrio e tachos é que servirão as Forças Armadas por falta de emprego e consequentemente morrerão no estrangeiro em nome de uma democracia que o é só para alguns?

Que povo sois vós que ainda sofreis no recato do lar as mazelas dos que viram a guerra e voltaram e nada fazeis?

Tu mereces que te defenda Povo?

Manifestas-te por solidariedades longínquas e tens os teus a passar mal em casa? Que povo é este a que pertenço?

Que povo é este que permite que um filho morra no estrangeiro pela paz mundial e lhe deixa cair a família no esquecimento e na quase sobrevivência caridosa?

Tu povo que me mandas mails de amizade, solidariedade e outras merdelices piegas, não me ensinas a ser solidário, não sabes sê-lo. Eu não o afirmo, provo-o no terreno quando é preciso e não ergo bandeiras de pregão.

Assim que te apanhas ajudado nunca mais apareces, estás servido, aliviaste a consciência com umas parcas palavras ou com uns míseros cobres e já está.

Aquela família alentejana, como as famílias de tantos outros portugueses que ficaram em África, Bósnia Herzegovina, Timor e mais recentemente no Afeganistão, não te pertencem a ti povo, escorraça-los, ignora-los diariamente enquanto crente numa propaganda jornalística de que eles vivem bem, são nababos e não o merecem.

A partir de hoje povo, que me passastes os teus valores pretéritos mas também os presentes, estes que reneguei sempre e que agora te retribuo, não contes comigo para solidariedades, correntes de amizade, palavras amigas, declarações de amizade eterna virtual.

Tu não sabes povo que lá onde se aprende a imensa lição da camaradagem e da solidariedade é que estão os valores que esqueceste?

A partir de hoje povo, não escrevas no meu montado a não ser que o sintas profundamente, pois este é também solo sagrado onde os meus camaradas desaparecidos vivem comigo e é para eles e para os que os respeitam que escrevo. Tu, pelo exemplo de encolher os ombros e assobiar para o lado não os mereces, és indigno de os mencionar até.

A partir de hoje não me peças o meu sangue ou a minha medula, pede-me antes o que deste aos meus irmãos e camaradas, o esquecimento e o teu silêncio cúmplice e cobarde.

Cansei-me…
Autor: Manel do Montado

NOTA: Extraído do Blog Montado Altaneiro, por ser considerado um texto muito significativo da falta de respeito e consideração dos governantes por aqueles que perdem a vida em defesa da Pátria de ontem, de hoje e de amanhã, porque a nossa Pátria não tem idade. É eterna.

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