quinta-feira, 24 de maio de 2007

Cartão multibanco explora o cidadão

Conheço algumas pessoas que têm embarcado em decisões, sem reflexão séria e aprofundada, quando lhes telefonam para casa a aliciar com promoções, ou quando vão aos bancos e lhes impingem novos «produtos muito vantajosos». Ilusão! Ninguém (a não ser os amigos certos) nos telefonam para nosso interesse. O interesse é deles, isto é, da empresa que servem.

Há mais de duas dezenas de anos, os bancos a fim de reduzirem o número de empregados para menos de metade e, assim, aumentarem os lucros, ofereceram-nos, quase á força, o cartão multibanco, sem anuidade e sem qualquer taxa. As pessoas, relativamente depressa, aderiram a este meio de pagamento e inventaram imensos truques para memorizar o código. Numa progressiva aplicação de métodos científicos, passado algum tempo, quando as pessoas já estavam viciadas, dependentes do cartão, os bancos obrigaram ao pagamento da anuidade. E as pessoas, dependentes como já estavam, submeteram-se a essa extorsão. Entretanto, os bancos tinham reduzido o pessoal e fraccionaram-se em agências de dois ou três empregados por todas as ruas de cidades e vilas e obtiveram lucros cada ano mais elevados, apesar da crise do País.

Agora, depois de terem aumentado o custo dos cheques, propõem-se cobrar uma taxa por cada utilização do cartão. O recente aumento do custo dos cheques não foi por acaso, pois serve para dissuadir muita gente a regressar a esse modo de pagamento, já pouco usado, sendo obrigada a aceitar o ónus do cartão.

Mas, senhores utentes, não se esqueçam que se torna mais prático e vantajoso regressar ao modo de pagamento antigo, através de dinheiro, em notas e moedas. Vale a pena experimentar e, quando chegarem à conclusão de que é prático e económico, porque não transferem parte das vossas poupanças para os bolsos do administrador bancário para quem não há crise, irão continuar essa independência dos cheques e do cartão. E, se muitos seguirem esta sugestão, obrigarão os bancos a admitir mais pessoal, reduzindo o desemprego que grassa no País, e a tratarem os clientes como pessoas.

Está nas nossas mãos um poder não negligível que devemos utilizar para evitarmos sermos explorados descaradamente. Bastam os políticos, para nos secar os bolsos!!!

O facto de os bancos estarem conluiados com os restantes da União Europeia, em nada invalida a reflexão atrás exposta. Tudo é concertado entre eles contra os cidadãos desprotegidos.

5 comentários:

PintoRibeiro disse...

No ponto.
Boa noite e um abraço.

Jorge Borges disse...

Caro A. João Soares,
Aí está uma ideia excelente como alternativa à globalização neoliberal, contra a qual me bato permanentemente. Não há dúvida de que será através de novas movimentações sociais que os fundamentos deste sistema capitalista poderão vir a ser abalados. Força com a sua ideia e divulgue-a, que é o que farei, pelo meu lado!
Um abraço amigo

A. João Soares disse...

Amigos Pinto Ribeiro e Jorge Borges,
Obrigado pelo vosso apoio.
Realmente, a «evolução» das sociedades modernas está a ser condicionada pela ambição desmedida dos agentes económicos e pela indiferença dos «pacóvios» cidadãos anónimos.
É sintomático que, em momentos de mais franqueza, o ex-PR M Soares tenha defendido o direito de manifestação da indignação e o PR Cavaco Silva tenha aconselhado a não se resignar. O povo precisa de se defender, de usar os seus direito e as suas liberdades para defender a sua qualidade de vida.
Há poucos meses deixei de ser cliente do Banco Santander, por considerar que ele abusou. Hã poucos dias deixei de ser cliente da ONI por me ter deixado sem telefone durante doze dias e não ter reagido com delicadeza e eficiência às minhas sucessivas reclamações.
O cliente deve exigir ser respeitado. Temos todos e cada um de agir em defesa própria.
Abraços
A. João Soares

Pirata das Berlengas disse...

Ora aí está um tipo de exploração que merece realmente, da parte de todos, um verdadeiro acto de pirataria!

Toda a solidariedade deste Pirata enfadado com tanta e perniciosa exploração da honestidade da Boa Gente.

O Pirata

A. João Soares disse...

Então, caro Pirata, vamos deitar mãos à obra e procurar convencer as pessoas a regressarem aos tempos em que não havia cartões. Vai custar algum sacrifício mas se muitos aderirem, os bancos vão mudar de estratégia. e recolheremos o resultado da nossa não resignação.
Um abraço