sábado, 26 de maio de 2007

Cheque em branco por quatro anos?!!!

Mendo Castro Henriques, professor da Universidade Católica e um dos autores da obra «O Erro da Ota» escreveu uma carta aberta ao ministro Mário Lino em que, a dada altura diz : "A democracia, para si, sr. ministro, é um cheque em branco passado de quatro em quatro anos, não tanto a um Governo, mas a um partido político que selecciona esse Governo". Há quem não se fique pela figura do «cheque em branco» e chegue a afirmar que, perante a arrogância, petulância e comportamento autista de muitos governantes, o actual regime português é uma «ditadura a prazo» de quatro anos renováveis.

Sobre este caso da localização do novo aeroporto de Lisboa (NAL), em vez de transparência na explicação das razões da decisão do Governo, por forma a que o Povo, detentor da soberania, compreenda porque é que o seu dinheiro é utilizado desta e não de outra forma, o Sr. ministro atira poeira aos olhos dos eleitores, fala de deserto, argumenta com a população do Oeste esquecendo que a grande massa de utilizadores dos aviões parte de Lisboa ou ali se destina e que a geografia, a topografia, a orografia e os aspectos específicos da segurança de voo não podem ser postergados na escolha do local. E, nisso, é apoiado por uma tosca argumentação, acerca de pontes, de um seu camarada de partido, já muito desactualizado e que, pela força do hábito, se convence que em Portugal, inteligente só há um, ele, e mais nenhum.

Os argumentos do MOP, repetidos e sem carrearem nada de novo para o esclarecimento da localização do NAL estão de acordo com a sua «piada» de, sabe-se lá com que finalidade, dizer que é engenheiro civil inscrito na Ordem dos Engenheiros», ou quando de visita oficial a Espanha, onde era suposto ir defender os interesses de Portugal, ter declarado que é iberista. Não podia escolher melhor local nem oportunidade para o dizer!

Parecido com isto recorda-se a gafe de Sócrates, que deu as boas-vindas aos imigrantes que chegam a "um país cada vez mais pobre". Um acto falhado que traduz a verdade que domina o mais íntimo do seu subconsciente, e que é permanentemente reprimido por necessidade de propaganda. Recorde-se também a falha de Manuel Pinho, quando prometeu aos desempregados da cidade da Guarda empregos em postos de trabalho na mesma empresa na cidade de Castelo Branco e que a empresa veio dizer já estarem preenchidos. Esta, depois da tentativa de aliciamento de chineses por cá haver salários muito baixos e das desculpas imberbes do excesso de velocidade de 212 quilómetros à hora, é mais um caso desta «ditadura a prazo» dos oligarcas todo poderosos.

Mas, se realmente há serviços de segurança, interna ou estratégica, convém averiguar o que está por trás da indicação dada à Al-Qaeda de que seriam significativos os feitos de um acto terrorista na ponte sobre o Tejo (qual delas?). Parece estarem esquecidos de que o bom senso, a que muita gente recusa importância, é um auxiliar importante e imprescindível da gestão da vida privada e, principalmente, na pública.

5 comentários:

Jorge Borges disse...

Caro A João Soares,
Dou-lhe os meus parabéns pela escolha desta carta, bem significativa do estado em que se encontra a nossa não-democracia portuguesa. Acabo por ficar convencido de que a consecutiva acumulação de erros políticos por parte deste governo não-socialista acabará por vir a enterrá-lo aos olhos da opinião pública.
Bem sei que, segundo as últimas sondagens, os inquiridos ainda escolhem o PS e o eng. Sócrates para governar, mas esta tendência pode sempre inverter-se a qualquer momento, já no próximo erro crasso que cometerem.
Um abraço amigo

A. João Soares disse...

Caro Jorge,
Não conheço a carta. Apenas, o que li no artigo do Diário de Notícias me desencadeou uma série de reflexões que me leva a compreender que, atendendo ao ditado «errar é humano», os nossos políticos são demasiado humanos, mais do que o desejável!!!
Se conseguir encontrar a carta aberta, não a guarde só para si!
Um abraço amigo

Pirata das Berlengas disse...

Nas minhas piratarias de juventude, tive o gosto de ser aluno do Prof. Mendo Henriques e considero que ele tem razão na sua reflexão. Mais até do que "instrumentalizar" esta questão pró ou contra qualquer partido, dever-se-ía perceber que se trata de uma QUESTÃO de ESTADO e de cuja resolução a qualidade de vida das nossas POPULAÇ~~OES poderá vir a ressentir-se, para além de que certas soluções poderão ser tão pouco eficazes em termos da proporção "custos - benefícios" que realmente poderão ser desastrosas.

Não sou perito de construção de aeroportos e sobre isso não me pronuncio. Mas que deveria imperar o bom senso e o discernimento, além de uma VISÃO de LONGO PRAZO, é verdade.

Abraço d' O Pirata

A. João Soares disse...

Fico muito satisfeito ao ver que os piratas também pensam em decisões ditadas pela estratégia, pelo interesse nacional, pelo bom senso de aplicar os dinheiros públicos sob o cálculo da proporção de custos e benefícios. Muito bem. Pocos portugueses sabem de construção de aeroportos, principalmente quando se fala de políticos que, ou são ignorantes de tudo, ou são ex-estudantes de direito sem noção das realidades ou professores universitários que vivem nas nuvens sem vislumbrarem o chão que pisamos e onde se encontram os cidadãos que é coisa em que raramente pensam - só em vésperas de eleições quando nos querem sacar o voto. Mas mesmo sem percebermos o que é um aeroporto, notamos que há falta de senso e de verdadeiras razões para uma escolha que envolve tantos milhões. Se houvesse essas razões e elas fossem confessáveis, decerto que os governantes não se fechavam em copas e teimassem no «porque sim» e no «jàmé». Estão-se nas tintas para os contribuintes. É a tal ditadura a prazo de quatro anos renováveis.
Caro Pirata, apareça muitas vezes por aqui. Prometo fazer os possíveis por encontrar cá textos novos em cada dia.
Abraço

A. João Soares disse...

O Professor Mendo Casto Henriques tendo visitado o blog e encontrado a referência à sua carta, teve a amabilidade de ma enviar por e-mail.
É a seguinte:

27/05/2007 (54 leituras)

Exm.º Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Eng.º Mário Lino:

Refere a comunicação social de 24 de Maio de 2007 que, durante um almoço-debate sobre "O Novo Aeroporto de Lisboa", promovido pela Ordem dos Economistas, e que ficou assinalado pela sua intervenção, não direi tanto famosa quanto notória, que “A margem Sul é um deserto” achou também oportuno brindar os presentes com a afirmação que "O programa do Governo não será avaliado por 22 senhores que escrevem livros, mas pelos eleitores em 2009".

Referia-se decerto ao livro O ERRO DA OTA e creio falar em nome de todos os seus autores.

Naturalmente que não inferimos das suas palavras que despreza os autores de livros, nem a cultura em geral, nem a cultura técnica e profissional que resulta do citado livro, escrito por especialistas independentes e isentos com a consciência cívica de estarem a prestar um serviço ao país.

Também não inferimos das suas palavras que são inúteis estudos preliminares e chamadas de atenção fundamentadas, quando estão em jogo opções estratégicas para o país como seja “O Novo Aeroporto de Lisboa".

Não inferimos, ainda, das suas palavras que a democracia, para si, Sr. Ministro, é um cheque em branco passado de quatro em quatro anos, não tanto a um Governo, mas a um partido político que selecciona esse Governo; sempre nos ensinaram que o poder legislativo tem a primazia sobre o poder executivo e que o Presidente da Assembleia da República é a 2ª figura do regime.

Tudo isto, senhor Ministro, damos por pacífico que não é questionado na sua intrigante afirmação.

Mas, Sr. Ministro, ficamos preocupados que com tanta preocupação sua, técnica e política, e tantos dossiers a gerir, encontre tempo para desqualificar quem com “honesto estudo” vem concluir em voz alta o mesmo que indicam as sondagens de Abril e Maio de 2007, segundo as quais cerca
de 92 a 93% da população nacional, ponderando os votos, está contra a localização na Ota do Novo Aeroporto de Lisboa.

Poderá V. Exª saber que o famoso poeta alemão Heinrich Heine escreveu em 1821 que “Onde queimam livros, acabam por queimar pessoas”. Sem dúvida que jamais terá atravessado a mente de V. Exª queimar livros e muito menos pessoas, ao longo da sua já longa carreira política. Mas só lhe pedimos isto Sr. Ministro: tendo o Prof. António Brotas feito a oferta a V. Ex.ª de um exemplar da citada obra, não queime também reputações e responda a quem merece resposta pelos depoimentos fundamentados que prestaram, como é o caso dos 22 autores de O ERRO DA OTA E O FUTURO DE PORTUGAL

Mendo Henriques