segunda-feira, 23 de junho de 2008

Situação actual do País. Uma visão preocupada

Transcrevo um «retrato», talvez muito realista com cores muito cruas, da actual situação do País, hoje recebido por e-mail, esperando que desperte meditação e comentários que ajudem a melhor compreender este tema.

Um País a cair de podre

A classe política, no seu vaivém diário entre a Assembleia da República, território de muitas 'estórias, gargalhadas-passatempos, gabinetes, inaugurações e algumas confrontações no terreno, não faz (ou não quer fazer) a mínima ideia do que está a acontecer no 'Portugal real'. Não é só o drama da habitação e do desemprego; dos aumentos constantes que afectam a qualidade-de-vida das pessoas; é sobretudo, a necessidade de pagar as contas mínimas de uma sobrevivência cada vez menos digna.

Metidos nos aviões, nos restaurantes de luxo, nos encontros com os seus parceiros europeus, cujas facturas estão pagas à partida, deitam-se e acordam com a sensação de uma vida atribulada. Mas é uma maratona que vale a pena correr, porque, agora ao serviço de uma empresa pública, amanhã como administrador de uma empresa privada, o lucro está garantido e as 'indemnizações maia reformas', em certos casos, como se pode ir observando, são escandalosamente douradas.

A Democracia trouxe a liberdade e o Pais desenvolveu-se, sobretudo, na área das Obras Públicas (porque será?). Na educação, na cultura, na saúde e no trabalho (empregabilidade) há uma minoria tão activa como existia no tempo do Estado Novo. Convém compreender o que pensam do 'regime democrático português' aqueles que nasceram depois de 1974. Identificam-se com o sistema partidário? Acham que os políticos fazem política honesta? Cumprem a sua função de reduzir, de facto, as assimetrias qualitativas? Até que ponto não estaremos todos a consagrar o 'regime do umbiguismo'?

Em Portugal, perdeu-se a vergonha. A impunidade está instalada, os lóbis cavalgam a onda da letargia popular e as 'estórias' que se contaram em redor da licenciatura do primeiro-ministro, as indecentes factualidades vivenciadas no eixo do sistema financeiro protagonizado pela CGD e BCP, com o governador do Banco de Portugal a gaguejar perante a inconformidade do ónus da culpa, ajudam a perceber como este Pais se arrasta na maior das indigências morais.

Os interesses dirimidos entre as 'capelinhas' do Bloco Central (PS+PSD) atiraram Portugal para a lama. A credibilidade dos Partidos extinguiu-se. As Forças Armadas estão paralisadas. A Igreja perdeu a força. Assaltados pela lógica furtiva do assalto, vivemos em ruptura social e os partidos continuam a fazer de conta.

Muito por força das 'lógicas umbiguistas* do Bloco Central, só a classe política não observa as rupturas sociais, em hora de assalto(s).

Por Rui Santos, jornalista, Semiópticas, opinião, pág. 82

6 comentários:

luis disse...

Eis um retrato do País em que me revejo!
De um lado os políticos com as suas mordomias e do outro a maioria que vive mal e cada vez pior, neste País de "faz de conta"!!!
Por outro lado fazem-se gastos sumptuosos em obras de fachada( estádios, auto-estradas em duplicado, estudos para "isto e para aquilo" mas desnecessários, TGVs, rotundas e mais rotundas, etc., etc.) e não se reforçam as verbas destinadas ao Ensino, à Segurança Social, à Saúde e a tantas outras situações que trariam progresso e beneficios quer ao País quer aos Portugueses em geral. E não me chamem pessimista!!!

A. João Soares disse...

Caro Luís,
Este texto é muito directo e não me admira se aparece um fanático do Pinto de Sousa.
Há dias no blog do meu colega bloguista B. num post do género deste apareceu um desses fanáticos que o atacou de frente. A seguir, com o sentido irónico que às vezes se apossa de mim, deixei o seguinte comentário dirigido ao B. Julguei que ele viesse novamente ao ataque mas desistiu! Neste comentário, digo quase o mesmo que dizes no teu.

Não seja tão radical. Os portugueses tão têm muita razão para estar descontentes. Estamos a viver muito bem. Não há miúdo da família dos governantes e ex-governantes que não esteja encaixado num tacho à nossa conta. Os assessores são mais do que muitos e nada fazem, nem sequer evitam que os seus chefes façam asneiras de que são obrigados a recuar face às manifestações do povo. Quando esses chefes precisam de estudos ou pareceres vão contratá-los fora, a sociedades de amigos, políticos em funções ou já fora delas. Repare naquele advogado pago pelo ME para fazer um trabalho e não o fez e, em vez de ter sido obrigado a repor o dinheiro que recebeu indevidamente, ficou com ele e teve um novo contrato a preço muito superior para fazer o mesmo trabalho que não soube fazer no prazo do contrato anterior.
Onde estão os ex-governantes e ex-deputados? quanto ganham?
Não há só o apito dourado, há também os «tachos dourados» que são apenas para os beneficiados pela politica.
Portanto, vistas as realidades nacionais pela óptica de quem está nesse grupo de beneficiados, o País está maravilhoso, ganha-se bem, têm-se muitas regalias, etc. Um exemplo: O patrão do Banco de Portugal ganha mais do que o seu equivalente dos EUA!!! Estamos muito bem, Portugal é um País rico, desenvolvido, de gente feliz a viver desafogadamente. Temos o melhor nível de vida da Europa, etc.
Crise? Aumentos? Mentira. Está tudo muito bem e proporcional aos aumentos das pensões!!!!!

Um Abraço para ti Luis
João

Paula Raposo disse...

Eu cá acho que isto é mesmo a realidade deste país!! Infelizmente. Beijos.

Carlos Rebola disse...

Amigo A. João Soares

O pessimismo desgasta-nos corrói-nos a vontade de lutar e no limite de viver. Por isso é muito bom ouvirmos pessoas como o amigo que ironicamente nos fazem ver a realidade, que nos parece um caos, do lado do outro, que vive nesse mundo, dourado nas suas próprias “oficinas” (departamentos e organismos institucionais).
Parece-me que o mundo (feito por pessoas) caminha para algo que deve ser travado precisamos urgentemente dum "mundo novo" que substitua este "mundo velho" (o amigo Arsénio Mota tem um post sobre isto digno de leitura e reflexão), que o imperialismo mundial quer controlar com este monstro do "capitalismo selvagem" um autêntico "buraco negro" que tudo absorve numa área muito restrita.
Link do post do Arsénio Mota (http://arseniomota.blogspot.com/2008/06/mundo-velho-x-mundo-novo.html)
Um abraço de agradecimento e amizade
Carlos Rebola

A. João Soares disse...

Cara Amiga Paula,
As tuas palavras significam muito porque traduzem a impressão colhida nos contactos com a verdade de muitas empresas e pessoas. Só quem vive no ambiente asséptico dos gabinetes ignora as realidades do País.
Beijos
João

A. João Soares disse...

Caro Carlos Rebola,
Obrigado pelo seu comentário.
A história mostra que as pessoas com os seus defeitos, as suas imperfeições, conduzem o mundo a situações críticas que exigem grandes mudanças de rumo, e assim nasceram as diversas eras.
Essas alterações surgem ao fim da maturação de pensamentos com dúvidas e interrogações, à procura das melhores soluções, as quais, no fim, podem não corresponder ao esperado. Que fazer agora?
Neste momento, ainda é cedo para responder mas as massas vão levedando e há-de chegar o momento, com a solução possível.
Agora, a nível mundial, o poder está nas mãos das grande empresas multinacionais que tudo condicionam para aumentar os próprios lucros. Não há «poder» político que se lhes oponha, que lhes condicione a actividade exploradora.
Por seu lado, a ONU, não tem mostrado eficiência e não tem capacidade para se reformar.
Também os consumidores de nada são capazes por falta de organização e, mal esta comece a esboçar-se, aparecerão forças estranhas e ligadas ao capital que as dominarão.
Mas não devemos desesperar, a reacção individual, quando generalizada, produzirá rastilhos que farão explodir a bomba. Há que esclarecer, que incitar as pessoas a pensarem por si na busca de soluções, e contactarem entre si a fim de ser criado o efeito de massa indispensável a qualquer movimento social.
O texto de Arsénio Mota que refere, como os outros que tem publicado, é um óptimo contributo para a fermentação das ideias salvadoras do mundo. Faz bem em lhe dar divulgação.

Um abraço
A. João Soares