sexta-feira, 11 de julho de 2008

PM estava mal informado???

Transcrevo a parte inicial do artigo do JN que deixa a dúvida se o primeiro-ministro estava mal informado, ou se, na ânsia de propaganda, acabou por exagerar no lançamento da fumaça.

Carros eléctricos já eram isentos de IA

A Quercus exigiu hoje esclarecimentos ao Governo sobre o pagamento de imposto automóvel nos carros eléctricos,

dado que a lei já isenta estes veículos, ao contrário do que diz ter sido a ideia passada pelo primeiro-ministro quarta-feira.

No dia da assinatura do protocolo entre o Governo e a aliança Renault-Nissan para a comercialização em Portugal de modelos de veículos eléctricos, o primeiro-ministro afirmou que o Executivo iria estudar um modelo fiscal para permitir que os futuros carros eléctricos, sem emissões poluentes, possam pagar menos do actual imposto automóvel.

"Se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30 por cento do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70 por cento uma componente ambiental. O Governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente", disse José Sócrates.

A associação ambientalista considera que "há dois erros na afirmação do primeiro-ministro: a componente ambiental representa 60 por cento e não 70 por cento do cálculo do imposto e um veículo eléctrico está isento dos impostos". (...)

12 comentários:

Alberto disse...

Isto num Santana Lopes dava para meses de chacota da dita esquerda,de televisões,jornais e para mais umas ameaças,caso o presidente do pedaço fosse a anedota que por lá passou.
Mostra as ligações sujas da imprensa que a tudo passa a esponja.

A. João Soares disse...

Alberto,
à falta de valores morais, cívicos e éticos, cada um defende os seus interesses e não há um órgão isento e imparcial a analisar os problemas sem partidarismo. Quem pode, tem aplausos à sua volta, embora haja pequenas manifestações de desagrado.
Abraço
A. João Soares

Arsénio Mota disse...

Neste país abundam tanto as leis que até um governante não conhece na hora as que tinha obrigação de conhecer. A peripécia demonstra que temos leis para tudo, até para esquecer, mas muito menos para cumprir em geral...
Abraço.

luis disse...

Mas o que não foi dito e que é o mais importante é que não há possibilidade de legalizar um automóvel movido unicamente a energia eléctrica. Assim tudo quanto se diga sobre isto é puro BLUFF!!!! Em Viseu foi já construido um carro totalmente movido a energia eléctrica que não pode circular por motivo de não poder ser legalizado..... Era melhor que o PM estivesse caladinho!!!
Mas a comunicação social nada diz por estar comprada pelos governantes!!!!! Quaisquer que eles sejam.

A. João Soares disse...

Caro Arsénio,
É o resultado da diARreia legislativa da AR.
Mas o PM que ensaia muito bem os seus «improvisos» devia ir melhor preparado. Afinal para que servem as dezenas de assessores que o apoiam bem como o Min da Economia e os outros?
Cambada de amadores incompetentes.
Um abA. João Soares raço

A. João Soares disse...

Caro Luís,
Além desse caso há um de aproveitamento de outras energias em Aveiro que foi importado de Espanha onde podia circular ma que cá é impossível. Foi por mim referido em Diferenças entre «civilizações» com base em notícia no «Global Notícias» e em oposição ao que está a passar-se com os carros do Príncipe Carlos.
As nossas autoridades são sádicas e agarram-se às leis ou à sua falta para dificultarem a vida dos cidadãos.
O sadismo das autoridades é vulgar generalizado. Seguem o ditado: «se queres conhecer o vilão põe-lhe uma vara na mão»
Um abraço
João

a casa da mariquinhas disse...

Querido amigo João
Não resisti a ir ler, na íntegra, a notícia do JN.
Isto fez-me lembrar que li, recentemente, embora já seja do mês passado, uma resenha da Biografia de José Sócrates, escrita por Eduarda Maio.
A dado momento pode ler-se"...testa (JS) os argumentos dos seus colaboradores, ministros ou conselheiros... a deliberação que dali nasça deve ser inatacável, ou se não o for, as suas fraquezas têm, pelo menos, de ser descobertas pelo governo antes que mais alguém as identifique..."
Neste caso dos carros eléctricos quem é que falhou???
Quem é que não informou correctamente o PM, que demonstrou tanta ignorância???
Foi preciso a Quercus "identificar" a "confusão"???
É baralhada a mais até para o meu entendimento!
Beijinhos
Mariazita

A. João Soares disse...

Cara Amiga Mariazita,

Mesmo que a biógrafa tenha sido isenta e objectiva, o caso não surpreende porque as pessoas que apoiam os governantes e os autarcas não são escolhidas pela sua competência, isto é, por concurso público em que são escolhidos os melhores, mas sim por «confiança politica», por amizades, por indicação da máquina partidária. Isto foi afirmado com muita clareza por uma vereadora da CML em entrevista na TV quando a Câmara foi apontada pala Comunicação Social pelo exagerado número de assessores.

Vejamos desde o princípio. A carreira de político nasce e cresce à sombra de um patrono que tem de ser bajulado, lambendo-lhe as botas até à última partícula de saliva. Os maus estudantes, sem perspectiva de êxito numa profissão, aderem a uma juventude partidária, onde aprendem a arte de agradar ao líder, indo aos comícios aplaudir, colando cartazes, recitando em voz alta os slogans da propaganda do partido, etc. Depois, como prémio da sua servil obediência, podem ir para assessores, para deputados, para secretários de Estado e para ministros, ou até PM ou PR.

É uma carreira que valoriza a falta de inovação, de criatividade, de personalidade, de competência. Isto está em conformidade com a mentalidade nacional em que alguém que sobressaia é invejado e denegrido até descer ao nível dos colegas ou desistir. É a busca da igualdade pela mediocridade, é o nivelar por baixo.

Com esta escola de formação profissional, e a permanente obsessão de agradar ao chefe acabam por ter garantido um «tacho dourado» e uma «reforma milionária». Estou a ver a amiga a dizer que estou a exagerar. Mas veja que em vários ministérios foram tomadas decisões de tal maneira graves que o povo e as autarquias manifestaram o seu desagrado (Saúde, ensino, etc) levando a recuos por parte do Governo. Porquê esta vergonha do recuo? Porque, durante a preparação da decisão, os assessores não tiveram coragem de mostrar ao chefe que isso estava errado e que devia ser decidido de forma diferente. Mas não quiseram arriscar o tacho. Outro exemplo: as sucessivas alterações do Código das estradas, com consecutivos aumentos de multas e outras restrições sádicas aos utentes da estrada, mas os mortos têm continuado, ao longo de dezenas de anos. A lei das armas, muito pormenorizada e exagerada que ninguém cumpre e nem sequer lê, não reduziu o nível de criminalidade. Mas esta foi «reduzida» porque o ministro da Justiça descriminalizou uma série de infracções, reduzindo a população das prisões e gerando umas estatísticas ilusórias para «épater les bourgeois».

Penso que lhe dei uma ideia do amadorismo fantasioso, de faz-de-conta, de ostentação, arrogância e autoritarismo que gera casos como os dos carros eléctricos.
Transformaram o País numa virtualidade totalmente irreal.

Um abraço
A. João Soares

O Guardião disse...

Foi uma tremenda barraca, que demonstra bem que houve pressa em tirar coelhos da cartola, mas pasme-se, a oposição ouviu e não teve reacção nenhuma até virem outros dizer que afinal a promessa era uma trapalhada.
Talvez eu tenha alguma razão ao votar em branco.
Cumps

padreca domingas disse...

Não tava não...eheheh
ele quer é fazer-nos de parolos...
com a minha benxão... fica bem!

A. João Soares disse...

Caro Guardião,
O seu reparo quanto à inacção da oposição mostra bem a ignorância epidémica dos nossos políticos. Incompetentes e apenas movidos pelo sabor do «tacho dourado» que é um estágio para um «ainda mais dourado que será encerrado pela «reforma milionária» obtida com poucos anos de «estar no cargo» (não é de trabalho!) e acumulável com outras obtidas também à pressão.
Tem muita razão em votar em branco. É a única atitude racional, até que acabem com o emprego para os amigos que nem sabem sequer evitar as gaffes do patrão, e passem a ocupar os cargos depois de um concurso público que permita escolher os mais válidos, segundo critérios de competência, e de excelência. Sugiro a leitura dos comentários no post anterior.
Um abraço
João

A. João Soares disse...

Cara Padreca Domingas,
Provavelmente assim era! Nada acontece por acaso e não devemos menosprezar as qualidades dos nossos inimigos! Principalmente quando se trata de um estudante que em part-time e em tempo reduzido conseguiu uma licenciatura com tanto brilhantismo que antes de ser já o era!
Abraço
João