segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Opinião fundamentada!!!

Estava-se no Outono e, os Índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe Índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:
"O próximo Inverno vai ser frio?"
"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio" respondeu o meteorologista de serviço.

O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:
"Vai ser um Inverno muito frio?"
"Sim," responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:
"Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?"
"Absolutamente"- respondeu o homem - "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe.
O meteorologista respondeu:
"Os Indios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

É assim que funciona o mercado de acções. Simples!

NOTA: Esta história, de autor desconhecido, recebida por e-mail, mostra-nos como somos induzidos em erro, quando a informação não é de fonte segura e os serviços não a analisam nem comparam e não concluem. O texto inicial vinha com um comentário referente ao mercado de acções, e subentende-se, à origem da actual crise financeira. Mas isto não se aplica apenas à economia de mercado, à livre concorrência, ao regime capitalista do neoliberalismo, pois assenta que nem uma luva em todas as decisões. Veja-se as enormes despesas feitas com «estudos» encomendados para demonstrar que o aeroporto na Ota era a melhor solução. Sem dúvida que era, para aqueles que ali tinham comprado terrenos baratos com intenção de serem expropriados por alto preço. Alguém, nesse caso, serviu de índios na colheita da lenha!!!
E isto não invalida que a actual crise é resultado de especulações nas bolsas e no mercado de empréstimos bancários com garantias virtuais, não concretizáveis. Falta de senso? Ausência de valores morais, éticos e sociais? Já neste espaço foi referida a importância destes valores e o perigo da sua ausência.

7 comentários:

Carlos Rebola disse...

Amigo A. João Soares

Este "post" a meu ver também ajuda a compreender como as palavras das pessoas importantes provocam alterações dos comportamentos.

Se um cidadão vulgar escrever numa carta ao director dum jornal que "há uma deficiência grave num determinado troço de estrada, que é preciso corrigir" é quase certo que ninguém lhe ligará. Mas se for por exemplo o PR a dizer precisamente o mesmo porque apanhou um susto no mesmo troço de estrada, é quase certo que a breve trecho a deficiência será corrigida.
Também penso que por vezes as informações, não analisadas convenientemente, dadas por fontes credíveis podem ter efeitos catastróficos. Acredita-se nos "índios" sem mais nem menos e depois...

Um abraço
Carlos Rebola

A. João Soares disse...

Caro Carlos Rebola,
Assim se criam os boatos que circulam a alta velocidade e que são uma arma terrível.
Mas o caso do post também evidencia a incapacidade dos serviços meteorológicos, que se baseiam em indícios nem sempre credíveis.
As pessoas com mais poder de influência devem ter muito cuidado com as palavras e com os gestos para evitar mal-entendidos que podem ter graves consequências.
Um abraço
João

as-nunes disse...

Costuma dizer-se que não há fumo sem fogo. Será verdade? Não poderá haver fogo sem fumo?
E a verdade é que os próprios índios conseguiam fazer, intermitentemente, fogo sem fumo. Aliás só assim é que conseguiam comunicar em linguagem própria.( Era o Morse à moda índia).
Temos que estar atentos àquilo que nos tentam impingir. E não ir em cantigas logo às primeiras notas de música!
António

A. João Soares disse...

António,
Fez-me lembrar as palavras de Pinheiro de Azevedo quando, como PM, discursava numa varanda do Terreiro do Paço e rebentaram umas bombecas com que muitos se assustaram e ele para evitar ficar sozinho disse ninguém arreda pé, o povo é sereno, é só fumaça.
Um bom especialista em informações não cai facilmente em simulações, camuflagens e outras manobras de mentira que pretendem desencaminhar as pessoas do rumo certo. O boato é arma perigosa e não fere de imediato, sendo de feito retardado.
Abraço
João

Sei que existes disse...

Esta história aplica-se mesmo bem à forma como se vive actualmente!
Beijocas grandes

AP disse...

Caro João,
Excelente história. Mostra como funcionam muitas instituições nos dias de hoje!
Até serve de exemplo para a maioria das teorias económicas, as quais eu comparo a esperar um grande jogo de futebol só porque o estádio está cheio, ou vazio...

A. João Soares disse...

Cara Sei que existes e caro AP,
Na vida moderna não abundam as pessoas meticulosas que procuram fazer bem aquilo que fazem. Não testam os dados dos problemas que têm que resolver e deixam-se levar por boatos, informações sem credibilidade, intuições, etc.
A actual crise, e muitos contratempos poderiam ter sido evitados se houvesse honestidade de critérios e de estudo dos dados dos problemas e seriedade na procura da melhor solução de entre as possíveis.
Mas não se pode esperar melhor dada a forma como são seleccionados os políticos dirigentes. Veja-se o PSD que em poucos anos teve quatro presidentes e a cada escolha que deveria ter sido a melhor, procuram logo a forma de destituir o eleito!
Já há semanas se fala em convocar a instituição partidária para escolher novo personagem! É de anedota!
Será só fumaça!!!
Abraços
A. João Soares