quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Defendem a ausência de vida por incapacidade de cuidar dos vivos

Transcrição de artigo de opinião que merece profunda reflexão. Será que estes temas são os mais importantes para o bem-estar da Nação, neste momento? E onde estão as preocupações com a segurança, a saúde, o ensino, a Justiça, o desemprego???

O horror do vazio

Mário Crespo, Jornal de Notícias, 2009.02.16

Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia.

Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche.

A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado.

Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro.

Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência.

Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos.

O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido.

Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã.

E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime.

O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

4 comentários:

al cardoso disse...

Os xoxialistas no seu melhor!!!

Um abraco de desculpas pela ausencia.

A. João Soares disse...

Caro Albino Cardoso,A sua visita dá-me muito prazer. Eu também tenho feito poucas visitas, por andar assoberbado com os meus blogues. Cada um tem os seus problemas e a necessidade de alterar as suas prioridades, embora, por vezes, contrariado. Sugiro uma visita às duas poesias recentes de Viçoso Caetano, o poeta de Fornos de Algodres. É como o vinho do Porto, afina com a idade. Dentro em breve publicarei mais poesias dele.
Um abraço
João Soares

Ferreira Pinto disse...

A merecer larga divulgação, admitindo que poucos leitores vejam o JN.
Mais uma opinião, esta, como sempre, lúcida, objectiva e inteligente, que dá conta do que, afinal, se propõe o sobrinho do sr monteiro (plagiando um jornalista que muito prezo), ao eleger tema tão ..."fracturante" (!) para a sua próxima legislatura (que Deus nos defenda!), acompanhado pelo inefável Santos (sim, aquele que justificava a sua oposição ao novo aeroporto em Alcochete pelo manifesto e mais do que previsível perigo de qualquer bomba cortar as ligações norte-sul!) que vem opinar sobre a eutanásia.
Claro que ao governo (?) e ao PS (sim, o do trauliteiro sr silva!) importa, em plena campanha (que já fazem), distrair os eleitores dos importantes e graves problemas, que o mesmo governo (?) se mostra incapaz de enfrentar, salvaguardando, claro, a demagogia, o atrevimento e a irresponsabilidade das medidas de salvação dos bancos e dos respectivos administradores e accionistas, instrumento dos chamados crimes de "colarinho branco" (porque é que será que esses gajos, há muito, não usam camisas brancas?; já notaram?).
Um abraço do Ferreira Pinto

A. João Soares disse...

Caro Ferreira Pinto,
Estes nossos governantes, a começar pelo PM, são um espanto!!!
Transcrevo umas frases de Baptista Bastos que exprimem o teu ponto de exclamação.
«Os temas exclusivos que, no congresso, suscitaram o seu interesse, são indicadores do seu oportunismo ou da sua incompetência. Esqueceu o desemprego, o desajuste entre a realidade pungente, na qual estamos mergulhados, e a mudança das instituições; a falência dos bancos, a corrupção e a própria questão da liberdade. Sócrates tinha opções: não as tomou ou não as quis tomar». «Desconhecemos o que José Sócrates pensa da exaustão portuguesa, sovada pela agressividade das leis que promoveu e fez promulgar. Não sabemos dos seus projectos para Portugal, sobre o qual nos é inculcada a ideia de que materialmente não tem futuro»».

Realmente não seria mais prioritário analisar a segurança das pessoas e bens, a Justiça, o ensino, a saúde, etc? Esquecem as reais preocupações dos portugueses e pensam apenas nos votos, querendo ir buscá-los nos homossexuais. Será que no PS a maioria é homossexual, para deduzirem que em todo o Pais eles estão em maioria!
Mas no PS a maioria não está com Sócrates. Dos 73000 militantes há 44000 que não se deram ao trabalho de pagar as quotas para poderem votar nele. Só 29000 puderam votar por terem as quotas em dia. Os outros 60% estiveram-se nas tintas para o candidato Sócrates, porque esses não deverão ser homossexuais!!!
Obrigado pela tua visita e comentário.
Um abraço
João Soares