sexta-feira, 10 de abril de 2009

Funcionárias vestidas como freiras?

Transcrição da notícia do PÚBLICO de hoje

Funcionárias da Loja do Cidadão de Faro proibidas de usar saias curtas e decotes, segundo instruções

Instruções dada em acção de formação antes da abertura da loja

As funcionárias da Loja do Cidadão de Faro, inaugurada a 3 de Abril, foram proibidas de usar saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos. As instruções foram dadas numa acção de formação antes da abertura da loja, denunciou uma funcionária.

Segundo conta hoje o “Correio da Manhã”, as instruções foram apresentadas durante uma acção de formação promovida pela Agência de Modernização Administrativa.

“Esta acção incide sobre várias matérias e, em particular, sobre o que deve constituir um atendimento de qualidade, que ajuda ou prejudica o relacionamento com os cidadãos”, justificou Maria Pulquéria Lúcio, vogal do Conselho Directivo da agência, ao jornal.

Os “aspectos de postura pessoal foram abordados como importantes para uma imagem cuidada” das funcionárias, acrescentou.

Pulquéria Lúcio confirmou a proibição do uso de decotes exagerados, perfumes agressivos e gangas, mas negou a referência a saltos altos e a roupa interior escura.

NOTA: Nem no Estado Novo! Pensava que estamos em democracia mas estava enganado. Qual a verdadeira razão? Será para não concorrerem com os decotes de algumas governantes? Mas os utentes deixam de ter como prémio da sua espera a vista de alguns decotes estimulantes. A D. Pulquéria deve estar em competição com a D. Margarida da DREN, na defesa das boas maneiras. «Liberdade, liberdade quem a tem chama-lhe sua; eu não tenho liberdade nem de pôr o pé na rua». Onde chegaremos, com estes sinais de progresso? Oh D. Pulquéria!!! Pouco falta para o aspecto uniforme, militar, dos funcionários, num regime que tanto rancor tem aos militares. O que nos falta para sermos uma ditadura no seu pior estilo?

4 comentários:

Pulseira Electrónica disse...

É a preparação do estado novo, da opressão, da censura. Repare meu caro amigo, que a figura Salazarenta, do "Director", vai voltar às escolas, não que eu não ache que algo não deva ser feito, até pela onda de criminalidade das escolas, mas adoptar o modelo duma ditadura, é pura e simplesmente, anti-democrático.

Mas com relação ao traje das funcionárias, em questão, acho que devia imperar o bem senso, sem ter de se chegar à estupidez da imposição.

Abraços da prisão electrónica de políticos

Pulseira Electrónica

A. João Soares disse...

Caro Pulseira,
Sem dúvida que deve haver compostura, pois ela traduz respeito pelos outros desde os mais sensíveis e recatados. Um serviço público não pode ser uma fonte de fotos para a Playboy. Por exemplo não achei bem que há tempos a TV mostrasse a ministra da Educação numa entrevista sentada num maple de perna traçada mostrando as coxas e com um decote ousado que evidenciava os efeitos da idade. O decoro é indispensável.
Mas, para ser autêntico, deve vir de dentro, do comportamento de cada um, o que exige actuação na formação cívica, na educação.
E é actuando na educação que se reduzem os acidentes nas estradas, a criminalidade violenta e a de menor grau, bem como a CORRUPÇÃO e o enriquecimento ilícito hoje tão falado.
Falta Educação ao povo. O Governo e as Instituições públicas querem suprir essa falta com medidas ditatoriais que acabam por ser ridículas.
Repare que se proíbem roupa interior preta é porque admitem que as funcionárias a mostrem. E então se a usarem de cores berrantes?
Fardar os funcionários e depois encher as fardas com ornamentos e distintivos não me parece próprio de quem defenda as liberdades e as pessoas, com as suas individualidades.
Um abraço
João Soares

A. João Soares disse...

Manuel António Pina no JN de ontem escreveu o seguinte:

A notícia agitou no fim-de-semana a habitualmente pacata (hoje é um daqueles dias em que, como no soneto de Bocage, me acho mais pachorrento) comunicação social portuguesa.

O Estado, através da Agência de Modernização Administrativa, decidiu modernizar administrativamente as meninas da Loja do Cidadão de Faro e proibiu-as de usar saias curtas, decotes, saltos altos, perfumes "agressivos" (acho bem, perfumes armados e perigosos deviam estar sob a alçada da lei das armas; e sei do que falo que já tenho sido espoliado até por águas de colónia) e roupa interior escura.

Descontando as cuecas e os "soutiens", reservas ecológicas onde o Estado talvez devesse, mas que sei eu?, abster-se de edificar, o resto, juntamente com os processos a jornalistas, é já, tudo o indica, o primeiro passo da política de decência da sociedade portuguesa anunciada no Congresso do PS.

Tinha que se começar por algum lado e começou-se pelas saias e decotes, que era o que estava mais à mão (salvo seja).

A corrupção, o tráfico de influências e o enriquecimento ilícito que ponham as barbas de molho; um dia chegará a sua vez.

NÃO, ELE NÃO VEIO AQUI DEIXAR O COMENTÁRIO !!! Foi um amigo que mo enviou por e-mail! Obrigado Tito.

Pulseira Electrónica disse...

Pois. Era exactamente a isso que me referia, na minha faladura anterior.

Boa Semana Amigo.

PE